quarta-feira, abril 16, 2014

O cubo de 2

Está perto de completar oito anos desde que iniciei a escrita neste espaço.
Oito, oito anos, um número bem redondo.
Regressar aqui, tanto tempo depois, é um lugar estranho.
Desde essa primeira publicação tanta coisa aconteceu na minha vida. Ainda bem, pois é o que é suposto.
Naquela altura estava quase a fazer 30 anos, agora aproximo-me dos 40.
8 anos são 2920 dias, passaram 70080 horas, gastei 4204800 minutos ou 252288000 segundos. Trabalhei em 9 empresas (fui designer, professor, paginador, trabalhei num restaurante, voltei a ser designer, web designer, web developer e freelancer), estive por 3 vezes desempregado (períodos curtos mas angustiantes), envolvi-me em 4 relações (3 nos últimos dois anos e meio), passei por 11 mudanças de casa (as que me consigo lembrar), vivi em 3 cidades diferentes, ganhei mais 4 sobrinhos lindos (para juntar aos outros 6 que já tinha), encontrei novos amigos e perdi o rasto a outros tantos (os fins das relações trazem sempre estas dinâmicas), mantive algumas amizades (as de sempre) e reencontrei amizades antigas.
Que peso, vistas as coisas desta maneira, com o peso dos números.
Caí, levantei-me, alegrei-me com a esperança da possibilidade de dias melhores, fui feliz, apaixonei-me, iludi-me, fui medroso, outras vezes forte, lutei e baixei os braços, construi e destrui, magoei e fui magoado, desiludi-me, ri, chorei, passei por decisões dificeis e angustiosas, perdi-me e afundei-me novamente, passei por uma espiral perigosa de auto-destruição, voltei a levantar-me, a encontrar-me, voltei a acreditar que ainda há muito caminho a percorrer e recomecei a construir a minha vida, uma vez mais.
O balanço? Não consigo fazer um.
Sinto-me cansado e perdido, sem objectivos, em suma, sinto-me sem um rumo concreto. No entanto, e por outro lado, sinto-me capaz de tudo a que me propuser, a vida tem-me dado provas disso, eu mesmo tenho-me dado provas disso também. Basta eu não me sabotar.
Basicamente sou o meu melhor aliado e o meu maior inimigo.
O número 8 é o primeiro cubo perfeito, o cubo de 2, número da sorte para os chineses, é também a representação do infinito, do eterno retorno. Deve ser por isso que, passados 8 anos, continuo com as mesmas questões de sempre, basicamente elas não mudaram em nada com o passar do tempo, nem mesmo com a maior experiência de vida que trago agora comigo. À vezes parece-me que ando a queimar o tempo com nada e para nada.

quinta-feira, abril 10, 2014

Encimado por um Hermes

De tanto que me tornei hermético já não consigo tirar-me a tampa, deve ter feito vácuo e colou...

Começar

Começar. É sempre esse o problema: começar, começar algo, começar por onde, começar para quê, começar porquê, começar para quem?
A quem é que pode interessar o que tenho para dizer?
O que eu tenho para dizer é importante?
O que é que eu posso dizer que não tenha já sido pensado, dito e escrito?

Chego facilmente a este impasse e detenho-me… não vale a pena seguir qualquer caminho. Já todos eles foram trilhados anteriormente e aquele a que me proponho começar não chega a iniciar. Protelo, procrastino, adio, alheio-me, afasto-me, deixo-me estar quieto, ainda que frustrado, ainda que inquieto.

Dentro de mim há muita coisa, muita informação, muita vontade de expressão, muita ânsia de vomitar visceralmente o que já não me cabe nas entranhas. Sinto-me muito cheio e, contraditoriamente e por causa dessa incapacidade hermética, muito vazio. É tão grande o vazio onde me encontro, um abismo cheio de coisas minhas que teimam em não me deixar, em não sair de mim. O que fazer com as coisas minhas?

Rebenta a bolha, fala, partilha, expande-te, exprime-te, sai da tua concha, dá-te a conhecer, abre-te ao outro – digo-o, como um mantra, a mim mesmo e ouço-o com frequência vindo das bocas dos outros.

Respiro fundo e proponho-me de novo ao caminho. Começo no começo, uma vez mais, na tentativa de partilhar, de exprimir as minhas coisas. Começo um esboço, traço um desenho a lápis para logo o riscar por cima; começo um texto na minha cabeça para logo o apagar; começo para de imediato cessar. Sou uma manta de começos retalhados.

Talvez não devesse importar-me com o chegar a um destino específico – afinal o que importa é o caminho, dizem – mas talvez devesse importar-me tão-somente com o começo, começar algo e seguir em frente. Depois logo vejo onde chego.

Mas por enquanto cesso.

sexta-feira, junho 15, 2012

Ventos de mudança!


Diz quem percebe destas coisas que Júpiter entrou em Gémeos este mês (11 de Junho) e por ali se fica durante um ano (até 26 de Junho de 2013). 
O que isto quer dizer? Que chegaram os ventos de mudança, claro está! 
Parece que é uma coisa boa para quem gosta de socializar (trocas, comércio, viagens), comunicar (publicidade, jornalismo, escrita) e também expandir os seus horizontes de conhecimento (ainda que superficialmente) - tudo terreno mais que fértil para os nativos do signo gémeos.
É o tempo da vontade de viver e, principalmente, de viver novas experiências, sempre com pensamento positivo, receptivos à versatilidade, ao bom humor e à vontade de crescer espiritualmente, aprender, trata-se de uma fase especialmente propícia para o alargamento a novos horizontes de conhecimento, para uma verdadeira abertura mental.
O problema é o mesmo de sempre, que eu bem conheço, e que passa pela dispersão, pelo diletantismo e pela facilidade com que se pode cair na superficialidade das experiências. Os excessos podem também tornar-se perigosos...
Por isso é tempo de diversão, aproveitem  mas portem-se bem e com juízo!

terça-feira, maio 29, 2012

35 já cá cantam!

segunda-feira, abril 16, 2012

as pedras da minha rua

volta amor, volta a pisar estas pedras outra vez

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Saudades

...de trabalhar, é possível!?

terça-feira, janeiro 31, 2012

Londres, done!



Já lá tinha estado em 2009, mas numa visita relâmpago e inserido num grupo de gente que não tinha os mesmos interesses que eu. Assim, considero que esta tenha sido a minha primeira vez na cidade.

O que dizer desta cidade se não usar as palavras de Samuel Johson (1709-1784) de Gough Square - o autor do primeiro grande dicionário de língua inglesa, assim me venderam o peixe - que sobre Londres disse:

"Sir, when a man is tired of London he is tired of life: for there is in London all that life can afford."

A ideia é voltar e ficar, a ver como as coisas correm. 

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Mês novo, vida nova

Birds flyin' high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
yeah, its a new dawn its a new day its a new life for me
And I'm feelin good

Fish in the sea, you know how I feel
River runnin' free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
And I'm feelin good

Dragonfly out in the sun you know what i mean dont you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done that's what I mean
And this old world is a new world and a bold world for me

Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Yeah, Freedom is mine, and I know how I feel
Its a new dawn, its a new day, its a new life for me
Oh I'm feeling good.

It's a new dawn, it's a new day

sexta-feira, dezembro 31, 2010

segunda-feira, novembro 15, 2010

Bricolage

Depois de um início de tarde simpático, quando regressado a casa, depois do filme, resolvi meter-me na bricolage.
Fiz furos; coloquei espelho e apliques na casa de banho - sempre a rezar para que não furasse um cano; instalei o candeeiro do escritório; troquei as lâmpadas incandescentes por económicas; e, por fim, meti-me na tarefa hercúlea de furar e aparafusar à mão mais de 20 camarões na parte inferior de uma prateleira do armário da cozinha. Como são móveis antigos (anos 50) têm altura suficiente para ter as canecas penduradas por cima da louça que está na prateleira abaixo, optimizando assim o espaço.
Gostei do aspecto final da coisa, ficou castiço, mesmo a lembrar o armário da minha avó - mas sem os folhinhos de renda plissados a rematar a prateleira!
O resultado final para mim é que foi menos simpático... à força de tanto torcimento, acabei por abrir o pulso... menos mal ter sido o da esquerda. Calhasse ter sido o pulso da direita e queria ver como iria trabalhar amanhã com o mouse do computador.
Agora tenho-o todo ligado, a ver se a coisa vai ao lugar.
Que me sirva de lição para a próxima vez que meter na cabeça que consigo fazer tudo sozinho! Deixo-me de tretas e contrato alguém que saiba realmente fazer este tipo de serviços. Talvez alguém como este moço que recebi há dias no meu email, mas não tinha o contacto do telemóvel. Se alguém o reconhecer, agradeço que me passem essa informação! =)
versão despudorada e sem smile ao clicar na foto

domingo, novembro 14, 2010

Fui ver e...

... apesar do ritmo alucinante do filme, gostei. Há uns tempos atrás havia falado de que o filme estaria para sair em breve. Pois hoje resolvi ir vê-lo.
O realizador optou por uma abordagem desta história de uma forma que a mim me pareceu muito inteligente. Todo o ambiente, que cercou os acontecimentos representados neste filme, é-nos passado de um modo muito credível, quase a roçar uma espécie de documentário histórico. Não se caiu no subterfúgio fácil de diabolizar uns ou endeusar outros, ninguém é moralizado nesta história, relatam-se apenas acontecimentos.
Vale a pena ver, para quem se atrever aguentar tanta informação com muito pouco tempo para aprocessar. Afinal, não é precisamente isso que nos dá o Facebook?

sábado, novembro 13, 2010

Dever cumprido

Hoje fomos fazer o último adeus ao meu avô. Cumprindo assim a sua última vontade que era não ser enterrado. Agora o que restava dele está por aí, no mar onde o deixámos, junto de uma praia onde onde ele foi muito feliz, há muitos anos e durante muitos anos com a sua família.
No final desta manhã, uma semana depois, chegou finalmente a sensação de dever cumprido. Cuidemos agora dos vivos!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Banhos quentes

Hoje foi dia de obras em casa... furar paredes, aparafusar, pregar, fazer ligações de água e electricidade.
Resultado final:
  • já temos termoacumulador montado e, mais importante, a funcionar - acabaram-se os banhos de água fria;
  • bancada para a placa de vitrocerâmica montada e fixada à parede;
  • placa de vitrocerâmica igualmente montada e a funcionar - primeiro jantar feito na dita e segundo feito em casa;
À parte dos stresses naturais de quando se fazem estas coisas a dois - o eterno problema que vem do facto de a cada cabeça, a sua sentença - a coisa acabou por não correr mal de todo. Mal posso é esperar pelo duche quente amanhã de manhã! =)

quarta-feira, novembro 10, 2010


Estas coisas emocionam-me, fazem-me pensar que se o ser Ómano faz estas coisas bonitas é porque afinal ainda há esperança para a nossa espécie... enfim, sou um impressionável daqueles bem fáceis!

terça-feira, novembro 09, 2010

Primeiro de muitos

Hoje foi o primeiro jantar na nossa nova casa, o primeiro de muitos, assim o esperamos.

sexta-feira, novembro 05, 2010

R.I.P.

10.12.1919 - 05.11.2010
Há três anos atrás escrevia eu isto a respeito do aniversário do meu avô materno. Ainda passou a barreira dos 90, mas já não se aguentou para completar 91. Os seus últimos dias foram maus, com muito sofrimento e desgaste. A sua ida chegou para descansá-lo e também para nos descansar... Até sempre Quinhones!

quinta-feira, novembro 04, 2010

Falhas


Hoje foi a vez do técnico que ia fazer a montagem do termoacumulador falhar a comparência como estava agendado. Lá teremos de contar mais uns dias a tomar banho de água fria... brrrr...
Dizem que enrije-se o corpo, mas eu ainda não vi nada!

quarta-feira, novembro 03, 2010

Um dia quando menos esperares...

Quando eu pensava e já estava conformado com a ideia de que tão cedo não iria ter oportunidade para comprar um destes maravilhosos aparelhos hiper-trendy-gadjets-que-fazem-tudo-e-mais-alguma-coisa-e-também-servem-em-última-instância-de-telemóvel, nome curto iPhone, eis que o patronato me presenteia hoje com um deles.
A vida tem mesmo destas coisas, está cheia de acontecimentos que parecem lugares comuns: um dia quando menos esperamos, tropeçamos no que queremos e tanto procuramos.
Agora tenho que ir tirar um curso rápido de formação avançada para aprender a trabalhar com ele... =)

segunda-feira, novembro 01, 2010

Primeiro dia

Hoje é o primeiro dia de uma nova etapa a dois.
Estamos ambos de rastos e ainda há tanta coisa para fazer, tanto caixote para carregar...

terça-feira, outubro 05, 2010

Aniversários

A República fez 100 anos, mas a maioria esqueceu-se de mencionar que Portugal também fez 867.
Deve ser pelo estado em que o país se encontra que ninguém lhe deu os parabéns... compreende-se!
Em todo o caso, hoje foi dia de festa porque o meu 9º sobrinho já completou um ano de vida. =)

domingo, setembro 19, 2010

Facebook: It's free, and always will be.

Uma nota que escrevi no Facebook e partilho aqui:

"Fala-se tanto da liberdade que nos é permitida a todos através do boom da internet, especificamente, das redes sociais, e acabo de constatar, uma vez mais, que é tudo uma grande treta.
Tentei publicar na minha página do FB uma informação que achei interessante. Deu-me erro à primeira, à segunda e à terceira vez. De cada vez que carregava no botão "Publicar" recebia uma mensagem automática do Facebook. Essa mensagem informava-me que o que pretendia partilhar estava marcado como "abusivo" ou "spam".
Que informação era essa?
Um simples link que demonstrava algumas das muitas debilidades do sistema de privacidade do Facebook...
Depois, porque uns links levam sempre a outros, encontrei mais histórias que correm sobre o principal fundador e CEO do FB. Essa informação dizia respeito a algumas declarações proferidas pelo fundador do FB onde percebemos claramente qual a sua visão estratégica face à política de privacidade dos utilizadores deste colosso social - onde todos nós (eu incluso) mergulhámos de cabeça, sem sequer nos perguntarmos bem como e porquê. Considerações metafíscas aparte, quando tentei novamente partilhar essa informação por aqui, imaginem o que aconteceu... fácil de concluir, não é?
Cereja no topo do bolo:
No final de cada uma das mensagens recebidas pode ler-se um simpático e politicamente correcto "Let us know if you think this is an error". Cínicos!


O filme sobre o Facebook está aí, nas salas de cinema, no final do ano - veremos até que ponto os autores conseguiram reproduzir a verdade dos acontecimentos.

Entretanto, para quem quiser saber mais alguma coisa, existe também este livro: The Facebook Effect (google it!)

Apesar de ter cada vez mais dúvidas em relação a isso, não é desta que acabo com a minha conta aqui. Gosto do que o FB faz por mim e ainda aprecio o tempo que aqui passo para fazer já uma coisa dessas.
Uma dica que deixo sempre, a quem me fala sobre a questão de falta de privacidade que existe no FB, é a de que podem sempre (e devem!) configurar todos os items controláveis do seu perfil. Para quem quiser configurar, rápida e facilmente, a privacidade do seu perfil aqui vai um link bastante útil - em inglês. A ver se deixam publicá-lo!"

domingo, setembro 12, 2010

Shoebox full of family memories

Tarefa de fim de fim-de-semana.

sexta-feira, setembro 10, 2010

new look for this season

sexta-feira, agosto 13, 2010

Definitivamente

... esta foi uma sexta-feira 13.

Sabe bem...

...voltar aqui!

12 anos depois chega a prova!


Por várias vezes ao longo dos anos deste blog tenho feito algumas alusões a 12 anos no farol. Tem sido uma espécie de private joke entre mim e os meus dois irmãos não de sangue mas do coração: os meus dois faroleiros de serviço. Sempre que falamos isso rimos, há uma cumplicidade de anos, quem está de fora fica a apanhar bonés, sem perceber o que falamos. Isso agora acabou. Um deles encontrou hoje, ao fim de tantos anos (curioso terem sido 12) o sketch que deu origem a esta nossa private. Partilho-a por puro gozo. Por breves minutos regressei aos finais de noite na nossa casa Templária, a ver a Britcom na RTP2 e a rir desbragadamente. Amei rever!

quinta-feira, agosto 12, 2010

It's too darn hot!!!

No meu mail, outro dia

7 Sure Fire Ways To Kill Your Good Ideas (click on image too enlarge)

quarta-feira, agosto 11, 2010

I'll be back, for sure!

Obrigado pelos vossos comentários.

terça-feira, agosto 10, 2010

Small steps

 
Devagarinho se recomeça o caminho...
Até já!

I've gotta be


You gotta be bad, you gotta be bold
You gotta be wiser, you gotta be hard
You gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm
You gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day

It's been hard

sexta-feira, janeiro 08, 2010

08 - 01 - 2010

(Foto de Tiago Petinga/Lusa)

Hoje fez-se história em Portugal, mas também no resto do mundo - se servirmos de exemplo para alguma coisa. Razão pela qual volto aqui ao meu espacinho para deixar a marca deste segundo passo no caminho da igualdade - o primeiro grande passo foi dado em 2005 aquando da alteração do Artigo 13.º (Princípio da Igualdade) pela VII Revisão Constitucional da Constituição da República Portuguesa.
Como já se falou disto por todo o lado, deixo-vos "apenas" o texto do discurso do deputado independente, eleito pelo PS, Miguel Vale de Almeida:

"No início do ano em que se comemora o centenário da República, este Parlamento cumpre hoje um dos mais nobres desígnios da democracia: garantir os direitos individuais e a superação de discriminações injustas. Hoje, este Parlamento, todos e todas nós, temos a oportunidade e a responsabilidade de incluir mais cidadãos e cidadãs, como em tempos fizemos com a abolição de discriminações com base no status e na “raça” ou com base no género. Hoje cabe-nos a responsabilidade e o privilégio de pôr cobro a uma grave discriminação, desta feita com base na orientação sexual, dando assim seguimento à nossa Constituição, que proíbe a discriminação com base nessa categoria e assegura o desenvolvimento da personalidade, de que a sexualidade é uma característica primordial e intrínseca.

Aprovando o acesso ao casamento civil por parte de casais de pessoas do mesmo sexo em igualdade de circunstâncias com os casais de pessoas de sexo diferente, estaremos a trazer mais cidadãos e cidadãs para o pleno usufruto dos seus direitos, sem retirar direitos a outrem e sem alterar a natureza contratual do casamento civil. Estaremos a alargar e a incluir, sem excluir ninguém, e sem criar institutos específicos que, tal como actualmente se configura o casamento civil ou tal como se propõe com casamentos com outro nome, acentuariam a discriminação e o apartheid social entre hetero e homossexuais. Não estaremos a destruir o casamento civil, como alguns dizem, mas a reforçá-lo, como o temos feito desde o seu início (na segunda metade do século XIX), no sentido de maior igualdade entre marido e mulher, da possibilidade do divórcio e da adequação a valores culturais assentes na liberdade de escolha. Avançamos agora para o reconhecimento da igual natureza das relações afectivas e contratuais entre um homem e uma mulher, dois homens, ou duas mulheres.

Por que é o igual acesso ao casamento civil tão importante para a inclusão, para a superação da discriminação, e para a recusa e a censura da homofobia por parte do Estado e da Lei? Porque a experiência individual e social dos gays e das lésbicas – a experiência do insulto, da violência simbólica e física, da exclusão – assenta justamente num aspecto intrínseco da personalidade humana (a sexualidade e, especificamente, a orientação sexual), aspecto esse que ganha saliência social no momento em que a afectividade e os sentimentos levam as pessoas gay e lésbicas – à semelhança dos heterossexuais – à constituição de relações afectivas e conjugais cuja publicitação e vivência livre têm sido impedidas quer pela Lei, quer pelas mentalidades mais retrógradas. As pessoas de que estamos a falar, as pessoas para quem e em nome de quem estamos a legislar, nasceram numa sociedade largamente homofóbica, à semelhança da experiência terrível do racismo para muitas pessoas negras em várias sociedades, e à semelhança da experiência terrível do sexismo para muitas mulheres. Nasceram para uma sociedade que lhes disse que o seu amor não tinha nome; que o seu destino era obrigatoriamente a heterossexualidade; aprenderam nomes insultuosos para designar o mais íntimo e estruturante das suas personalidades; viram-se obrigadas a viver na vergonha, no silenciamento e na ocultação; em tempos e lugares não muito distantes foram encarceradas, torturadas, submetidas a tratamentos forçados, enviadas para campos de concentração. Ainda hoje e entre nós, temem represálias no emprego, temem o insulto na rua, temem a alienação familiar e das redes de amizade. Essas pessoas não são as figuras estereotipadas de um certo imaginário homofóbico, nem as pessoas que, como eu, tiveram o privilégio e a sorte de poderem falar hoje e aqui, neste dia histórico. Eles e elas são nossos irmãos e irmãs, pais e mães, filhos e filhas, amigos e amigas, vizinhos e vizinhas, colegas de trabalho. São pessoas de todos os níveis sociais, ricas e pobres, do campo e da cidade, jovens e idosas, conservadoras ou liberais – e esperam de nós um gesto de reconhecimento. Mas legislamos a favor da igualdade também em nome de todos e todas nós, cidadãos e cidadãs da República Portuguesa - porque nenhum e nenhuma de nós será livre e poderá em consciência usufruir dos seus direitos enquanto estes forem negados ao seu próximo. E porque o valor de uma democracia se mede pela sua capacidade de proteger as minorias e de recusar qualquer imposição baseada em preconceitos maioritários. Não estaremos a reinventar a sociedade, como não a reinventámos quando abolimos a escravatura ou conquistámos o direito de voto para as mulheres. Estaremos sim, como então, a dar continuidade a um projecto civilizacional. Estaremos a alargar o âmbito dos direitos, a tornar a democracia mais democrática, a melhorar efectivamente as condições de vida de mais cidadãos e cidadãs, a garantir mais liberdade de escolha sem prejudicar a liberdade de outros. Estaremos a assegurar os próprios princípios em que assenta o nosso modelo de sociedade – baseado na democracia, na igualdade e nos direitos humanos.

Mas hoje estaremos – se soubermos cumprir o desígnio mais nobre dum Parlamento democrático – não só a garantir o acesso a direitos que são negados por outras figuras ou pelo impedimento de acesso ao casamento civil. Estaremos a fazer um gesto emancipatório com uma importância simbólica ímpar: o Estado e a Lei estarão a dizer a toda a sociedade que as relações entre casais do mesmo sexo têm a mesma dignidade e merecem o mesmo respeito que as relações entre casais de sexo diferente. Sim, estaremos a dizer isso – e os nossos opositores devem demonstrar que não estão a fazer justamente o contrário. Estaremos a promover uma pedagogia anti-homofóbica na sociedade, dando o exemplo a partir do órgão máximo de representatividade democrática; estaremos activamente a promover a mudança de mentalidades; estaremos a cumprir a nossa função de reconhecimento de uma categoria da nossa cidadania que tem historicamente sido tratada como doente, pecaminosa ou criminosa.

Apelo a todas e a todos vós que não mantenham o casamento como um privilégio, mesmo que de uma maioria. Pensem no jovem ou na jovem homossexual e no seu companheiro ou companheira que, ao contrário dos seus irmãos ou irmãs heterossexuais, não podem aceder aos mesmos direitos; e que à semelhança dos seus irmãos ou irmãs heterossexuais, podem desejar exprimir - através do casamento - o seu afecto, o seu amor, o seu compromisso, os seus projectos comuns de vida. No dia seguinte à efectiva possibilidade de dois homens ou duas mulheres casarem civilmente, se assim o entenderem, respiraremos um ar mais livre, cresceremos como democracia, promoveremos a inclusão e acarinharemos a diversidade na igualdade. Nesse dia, o arco-íris – símbolo da luta dos gays e das lésbicas pela sua dignidade plena - será também um símbolo da nossa República."

terça-feira, janeiro 05, 2010

Um dia

... volto a usar este espaço com maior frequência..

quinta-feira, setembro 10, 2009

Portugal - Eleições 2009

Uma comitiva do Parlamento Europeu a convite de Sócrates e da sua
Ministra Lurdinhas, visitam uma escola modelo no nosso país maravilha.
Numa sala da primária cheia de jornalistas a ensaiada professora com
ambição a uma futura boa colocação, pergunta aos alunos:
- Onde temos a melhor escola?
- Aqui em Portugal. – Respondem todos.
- Onde temos o Magalhães, o melhor portátil do mundo?
- Em Portugal. – Respondem.
- E onde há os melhores recreios da Europa?
- Aqui em Portugal. – Respondem mais uma vez.
- E onde existem as melhores cantinas, que servem as melhores sobremesas?
- Na nossa Escola, aqui em Portugal!
A professora ainda insaciada, continua:
- Onde é que vivem as crianças mais felizes do mundo?
- Em Portugal! – Respondem os alunos com a lição bem estudada.
Os tradutores lá iam informando a comitiva estrangeira que abanava a
cabeça, cépticos.
Nisto uma garota no fundo da sala começa a chorar baixinho.
Com as televisões em directo, Sócrates, para impressionar convidados e
jornalistas, pondo-se a jeito para as câmaras, resolve acudir à menina
perguntando-lhe:
- Que tens minha Menina?
Resposta imediata da menina, soluçando:
- QUERO IR PARA PORTUGAL!!!!!!!!