sábado, agosto 05, 2006

What I love most in your body

Parte I – Introdução
De entre os muitos filmes que me têm tocado de alguma maneira, o “Paciente Inglês” é com certeza um deles.
É-o por muitas coisas, pela época, pela aventura, pelo romance proibido, pelo facto de haver um livro de "apontar a vida" (o livro onde ela repetia as pinturas rupestres, pintadas nas paredes da gruta Cave Of Swimmers
e onde lhe deixa escrito os seus últimos pensamentos enquanto esperava que ele chegasse para a socorrer; livro esse um pouco semelhante aos meus antigos diários gráficos, agora passados a formato digital neste blogue), pela história de amor – todas as histórias de amor são bonitas, especialmente se trágicas e com um final infeliz; finais felizes não existem, escreve o meu eu céptico. Que “grande-e-para-sempre-feliz-amor” resiste à vidinha do dia-a-dia? Adiante...
É-o principalmente porque foi nele que vi, pela primeira vez, uma referência à mesma adoração que tenho por uma certa zona do corpo, que como o protagonista, também eu nunca soubera como se chamava (eu chamava-lhe a “covinha abaixo do pescoço”).

É na cena em que os dois amantes, Almásy (Ralph Fiennes) e Katharine (Kristin Scott Thomas), estão deitados na cama e falam sobre que partes do corpo vão tomar um do outro. Ele escolhe precisamente essa zona, a que mais gosto. O diálogo, apesar de nada de brilhante, é lindo numa cena que tudo deve à excelente interpretação de ambos os actores. Diz ele:
“I claim this shoulder blade... no, wait, I want... turn over... I want this, this... this place. I love this place, what's it called? This is mine. I'm going to ask the King permission to call it the Almásy Bosphorus."
E foi assim que, desde esse dia, a minha “covinha abaixo do pescoço”, passou a ser o meu “Bósforo”, muito mais giro!

Parte II – O Bósforo
Um destes dias, estava a deambular pela Internet e encontrei na Wikipedia a entrada que dizia respeito ao Bósforo e lembrei-me do “meu” Paciente Inglês e a minha zona do corpo preferida.

O Bósforo (em turco İstanbul Boğazı, em grego Βόσπορος) é um estreito que liga o Mar Negro (em cima) ao Mar de Mármara (em baixo) e marca o limite dos continentes asiático (à direita) e europeu (à esquerda) na Turquia. O seu nome significa "passagem do boi" de Βοῦς (boi) e πόρος (passagem) e refere-se à história de Io, jovem amada por Zeus, transformada por ele em boi, e perseguida por uma mosca sugadora de sangue enviada por Hera, ciumenta.
Foto: Estreito de Bósforo: Onde a Ásia e a Europa se cruzam.
Fonte: NASA Earth Observatory – Earth Observations Laboratory, Johnson Space Center, tirada pela tripulação da Estação Espacial Internacional, a 16 de Abril de 2004.

Parte III – O Entalhe Supra Esternal
Depois resolvi ir mais longe na minha investigação e procurar a verdadeira designação que é dada a essa zona do corpo. Mais uma vez, o filme ajudou, num diálogo entre Almásy e Maddox:
“Almásy - Um, Maddox, that place... that place at the base of a woman's throat, you know, the hollow, here. Does it have an official name?”
Maddox não responde logo, só umas cenas depois, praticamente, se “mal me lembro”, no final do filme. Diz-lhe:“Maddox - In case you're still wondering, this is called a suprasternal notch."
Novamente na Wikipedia, procurei então a definição desse tal “suprasternal notch”.O Entalhe Supra Esternal (Incisura jugularis sternalis) também conhecido como Entalhe Jugular, diz respeito à anatomia humana e é a concavidade visível onde o pescoço se junta com o esterno. Está localizado no topo do esterno, onde as clavículas se encontram.

Parte IV – Conclusões
Achei bastante interessante a relação que se pode estabelecer entre a zona do Bósforo e o Entalhe Supra Esternal. Temos assim, na zona do Bósforo, o mar Negro (em cima – o pescoço) que se junta ao mar de Mármara (em baixo – o esterno); é também o local onde a Ásia e a Europa se encontram, marcando o limite dos continentes asiático (à direita) e europeu (à esquerda), a clavícula direita e a clavícula esquerda, respectivamente.

Nada é ao acaso, prova-se mais uma vez!

Ainda assim, essa zona continuará a ser sempre, para mim, o meu “Bósforo”, muito mais romântico que “Entalhe Supra Esternal”. A ciência tem destas coisas… explica-nos tudo, mas é tão fria!

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