sábado, novembro 18, 2006

Hauru no ugoku shiro

Um ano e um mês depois de ter estreado em Portugal, tive a oportunidade de ver, numa sala de cinema (em Setúbal), o filme, do realizador nipónico Hayao Miyazaki, "O Castelo Andante”, em inglês “Howl's Moving Castle" ou ainda na versão original “Hauru no ugoku shiro”. Não tive oportunidade de escolha, vi na versão original, em japonês, legendada em português – o que talvez até tenha sido melhor pois assim mantive-me mais perto da génese.

Para saberem ao certo a história deste filme poderão, por exemplo, ver aqui, e escuso de repetir o que outros já escreveram.

Do realizador apenas me lembro, e mal, da série infantil que via em miúdo: "Conan, o rapaz do Futuro", ou seja, no que toca a opinião previamente formada, fui praticamente a zero.

Esteticamente não tenho nada a apontar de negativo, pelo contrário, numa época em que pululam os filmes de animação em 3D (os quais eu sou também um grande fã), ver que alguém ainda se ocupa, e bem, com a arte do filme de animação tradicional é uma surpresa!

O filme é bonito pelos cenários meticulosamente preenchidos, por toda uma estética profusa, abundante e preocupada em nos encher os olhos de mil e uma coisas. Durante os cerca de 120 minutos o meu olhar não parou de percorrer toda a tela, para não perder pitada do que ali se passava. As imagens da cidade, as paisagens no campo, todos os cenários do interior e exterior do castelo, o quarto do Howl então é soberbo (imagem), enfim, tudo é mágico!Uma outra cena que me deixou vidrado no ecrã é aquela em que Sophie, a protagonista, se olha ao espelho pela primeira vez depois de enfeitiçada pela Bruxa do Nada. Tecnicamente fantástica! Deixo aqui também uma imagem dessa cena.
Somos transportados para um universo de fábula mas onde encontramos todo o tipo de referências de uma Europa ora numa época da parisiense Belle Époque, ora da londrina Industrial Revolution e de referências a outras latitudes que nos lembram os quadros orientais com as suas paisagens montanhosas e os seus vales profusamente floridos.

A banda sonora também é mágica, assenta que nem uma luva no espectáculo visual que nos é apresentado. E é só!

De resto, a história em si e a profundidade das personagens é fraca, são deixados muitos buracos por preencher no enredo e sai-se da sala de cinema com a sensação que não se percebe muito bem o que o realizador quis contar. Não fosse pela riqueza visual do filme e ao fim da primeira meia hora quereríamos ir embora. Talvez se possa dizer do realizador que é um excelente técnico de animação mas um mediano contador de histórias, pelo menos nesta história em particular.Resumindo, valeu pela estética visual e pela banda sonora, perdeu pela história e pelas personagens. Ainda assim, é um filme a não perder (sempre podem ver em no DVD, caso não consigam vê-lo numa sala de cinema).

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