terça-feira, fevereiro 20, 2007

Limpar o passado

Hoje resolvi usar o feriado de Carnaval para fazer limpezas em casa.
No meio de tanta limpeza, acabei por fazer uma incursão às teias de aranha do passado - a quantidade de papelinhos e recordações inúteis que vamos acumulando ao longo da vida é impressionante!
A vantagem de fazer estas limpezas de vez em quando é que, com a distância do tempo, muitas dessas coisas inúteis, que vamos guardando, deixam de fazer sentido uns anos depois e assim é bem mais fácil desfazermo-nos delas.
Mas, como em tudo na vida, há que saber separar o trigo do joio... foi o caso de um papelinho que reencontrei hoje no meio do pó do papel, nele estava um texto antigo da faroleira do meu coração.
Não sei porque o guardei, talvez para reencontrá-lo hoje, tantos anos depois.
Faz muito mais sentido, agora que o releio com a distância dos anos e as mazelas com que a vida (ou eu mesmo!?) me foi (fui) marcando, do que na altura em que o li pela primeira vez.
Aqui o deixo:

"Sequei, entre as paredes das palavras
e os gestos (ou pensamentos) do passado
Já não sei desenhar, e choro
por ter perdido esses traços
que as mãos gritaram
por já não terem contexto (ou vida?)
E se os olhos lúcidos das estátuas
vissem tudo em seu redor
pereceriam do mármore e do bronze
que o criador esculpiu e impôs
e gotejavam em lânguido gelo
para subir nos sonhos dos outros."
R.N.

P.S. - Ainda assim, consegui fazer dois sacos de lixo/recordações inúteis...

1 comentário:

Rita disse...

Os papelinhos de ontem são pedaços de tempo congelado, como um carapau perdido no congelador.
Obrigada (por dares sentido a coisas sem sentido)!