quarta-feira, abril 25, 2007

Diz que foi...

... uma espécie de revolução pacífica - uma visão extremamente romântica e poética da coisa.
Ouvimos sempre que a grande particularidade desta revolução reside no facto de tudo ter corrido sem um único derramamento de sangue.
Não é bem verdade, neste levantamento militar ainda morreram 4 pessoas quando elementos da PIDE dispararam sobre as pessoas que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.
Mas, tendo em conta o acontecimento que foi e tratando-se de um movimento militar que derrubou um regime ditatorial que vigorava em Portugal desde 1926, estas baixas não possuem qualquer expressão (excepto para os seus familiares).
A Revolução dos Cravos, foi assim que ficou conhecido o movimento que libertou Portugal de mais de 40 anos de ditadura, deve o seu nome pelo facto dos soldados terem colocado cravos encarnados nos canos das suas espingardas - somos um país de poetas!
E o resto é história!
Podem ver aqui mais informações sobre este dia.
Para mim, que não vivi nem o antes nem o depois do 25 de Abril, que já nasci num país com liberdade de expressão, tudo me parece coisa de filme, dos livros de história, um relato distante de um Portugal que não foi o meu.
O valor que dou a este dia é tão somente porque toda a minha vida fui bombardeado com a ideia de que este é um dos dias mais importantes da nossa história, que nos devolveu todas as liberdades, etc., etc., etc., e que é uma heresia não o celebrar, lembrar e festejar.
O que eu me apercebo é que, trinta e três anos depois, no estado em que este rectangulo-à-beira-mar-plantado se encontra, talvez seja altura de se começar a semear novas sementes.
Nunca se sabe quando voltaremos a precisar dos cravos para endireitar as coisas!

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