quarta-feira, maio 16, 2007

Há dias mais difíceis que outros

Hoje ao ver um blog amigo, o qual consulto regularmente, apanhei uma mão cheia de cerejas.LESLIE FEISTPrimeiro recordei Feist e o quanto gosto da sua sonoridade, por tudo e principalmente pela voz ESSENTIAL LACOSTEde Leslie Feist – “Mushaboom”, foi o seu primeiro single mais conhecido entre nós, graças ao anúncio do perfume masculino Essential da Lacoste (aquele do mocinho que salta nos pilares à beira-mar). Depois, com a segunda cereja, recordei-me da primeira vez que a voz de Leslie Feist me tocou realmente – no anúncio, foi algo que me passou um pouco ao lado.

Isso só aconteceu com “La Même Histoire”, escrita por Elizabeth Anais e produzida por Manu Guillo (produtor dos Eurythmics). Uma música que foi propositadamente pedida a Feist que a cantasse, para a banda sonora original do filme “Paris Je t'aime”.

PARIS JE T'AIMESurge assim, o terceiro cacho de cerejas, este filme fantástico que vi no cinema há uns meses atrás e que foi dos melhores que já vi até hoje. Porque fala de amor e da cidade, por excelência, desse sentimento: Paris – como romântico incurável, confesso e lamechas que sou, podem imaginar como este filme fits me like a glove.

Do mesmo produtor de outro grande filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” saiu a ideia genial de pedir a 18 realizadores que contassem 18 histórias diferentes sobre o amor nas suas mais diversas variações, vertentes e nuances. Cada segmento do filme, com não mais que 5 minutos – uma imposição feita aos realizadores, (uma outra era a de não demorarem mais de dois dias em filmagens) – passa-se num bairro típico de Paris, o qual dá o nome à curta-metragem (Montmartre, Tuileries, Bastille, Le Marais, Quais de Seine, Tour Eiffel, Quartier Latin, Père-Lachaise, etc.).

Eis, com a música de Feist (na versão inglesa), o teaser trailer:


Paris Je t'aime - trailer com música de Feist - La même histoire

Além dos excelentes realizadores, das histórias de ir às lágrimas (e ao riso, à estranheza, ao medo, ao suspense, etc.), da banda sonora, o filme conta ainda com a participação de alguns dos meus actores preferidos, tais como a fabulosa Fanny Ardant, o louco do Steve Buschemi, o giraço do Gaspard Ulliel, o fantástico Gérard Depardieu, a Juliette Binoche, Willem Dafoe, Marianne Faithfull, Nick Nolte, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Catalina Sandino Moreno, Elijah Wood, a veterana Gena Rowlands, entre tantos e tantos outros.

Dentro das 18 histórias, tenho as minhas preferidas, as que ficaram foram:
• Irmãos Cohen (Tuileries, com Steve Buschemi) – hilariante cena do turista americano no metro;
• Sylvain Chomet (Tour Eiffel) – a família de mimos;
• Richard LaGravenese (Pigalle) – pela Fanny Ardant;
• Walter Salles (Loin du 16ème) – a ama que deixa a sua bebé num berçário durante todo o dia para poder ir tomar conta da bebé da patroa rica;
• Gus Van Sant (Le Marais) – um dos meus favoritos, pelo óbvio, a história, a declaração de Gaspard (Gaspard Ulliel - o Hannibal Lecter de 2007) a Elie (Elias McConnell - entra no filme Elephant de 2003 e do mesmo realizador) e com uma aparição breve de Marianne Faithfull … linda a história.

Para quem percebe francês, aqui vai o segmento completo:


Gus Van Sant – segmento Le Marais

Percebe-se porquê, não?

Só para terminar este post já tão longo (será que alguém chegou até aqui?), há ainda uma outra história, a de Tom Tykwer (Faubourg Saint-Denis), de onde sai um texto que me dói tanto, por poder ter sido escrito por mim. Diz Francine (Natalie Portman):

“Thomas Listen. Listen. There are times when life calls out for a change. A transition. Like the seasons. Our spring was wonderful, but summer is over now and we missed out on autumn. And now all of a sudden, it's cold, so cold that everything is freezing over. Our love fell asleep, and the snow took it by surprise. But if you fall asleep in the snow, you don't feel death coming. Take care.”

Hoje, todas estas lembranças levaram-me para outros caminhos na minha cabeça, no meu coração e fizeram com que tivesse uma recaída de ânimo…
Como pode um sentimento ser tão bom e também tão ingrato ao mesmo tempo!?!
Ainda teremos Paris à nossa espera?

Para fazer a “pescadinha de rabo na boca”, deixo a letra de “La même histoire”, da Leslie Feist, a tal, lá do início do post, ainda se lembram dela?

La même histoire
Quel est donc
Ce lien entre nous
Cette chose indéfinissable?
Où vont ces destins qui se nouent
Pour nous rendre inséparables?

On avance
Au fil du temps
Au gré du vent

On vit au jour le jour
Nos envies, nos amours
On s’en va sans savoir
On est toujours
Dans la même histoire…

Quel est donc
Ce qui nous sépare
Qui par hasard nous réunit?
Pourquoi tant d’allers, de départs
Dans cette ronde infinie?

On avance
Au fil du temps
Au gré du vent… ainsi…

On vit au jour le jour
Nos envies, nos amours
On s’en va sans savoir
On est toujours
Dans la même histoire…

1 comentário:

X disse...

Excelente post. Gostei muito. A Leslie é realmente fora de série. E também sou fã do Fabuloso Destino de A.P. Tens bom gosto sim senhor! Abraços