sexta-feira, novembro 23, 2007

Setúbal abanou!

Rui Minderico/Lusa

Quem viu os últimos noticiários sabe do abanão que Setúbal sofreu ontem e não foi pelo meu regresso à blogoesfera! (piada infeliz e evitável... mas agora já está)

Estava eu muito bem a trabalhar (a fazer horas-extra não pagas) quando três acontecimentos alteraram a minha concentração:

  1. ouvi o que me pareceu ser um trovão, estranhei ter sido apenas um só...
  2. os cães aqui dos quintais nas traseiras da empresa (onde estou é um dos extremos opostos ao local do acontecimento) não paravam de ladrar...
  3. o som de muitas sirenes e lembro-me de pensar 'estranho, normalmente só ao meio dia é que se ouve este barulho' (desconheço a origem desse som mas aqui, todos os dias ao meio dia, ouve-se o som de uma sirene que parece ser o toque de uma fábrica para o almoço)...

Em cada um dos acontecimentos, voltava para o meu trabalho (um manual de normas gráficas de um logotipo que não gosto). Talvez por isso, pela concentração que o trabalho exigia, não liguei os três acontecimentos entre si.

Dez minutos depois recebo uma sms de um amigo a perguntar-me se estava tudo bem comigo e o que é que tinha explodido por aqui... como desconhecia, pensei que se referisse a alguma coisa que tivesse "rebentado" aqui pelo trabalho e respondi-lhe com uma piada qualquer ... estava a leste dos acontecimentos, ele que não é daqui sabia mais que eu!

Só 15 minutos depois do sucedido é que recebo uma chamada da minha mana a contar-me o que estava a acontecer. Fiquei logo em sobressalto mas depois do ponto da situação, feito por ela, descansei, pois a nossa cassula trabalha perto do local (a uns 500 metros) e apesar de estar uma pilha de nervos, estava tudo bem com ela... não ganhou foi para o susto! Pior foi para o meu cunhado que mora no prédio em frente ao sucedido e ficou com buracos no local onde antes havia janelas em casa (no quarto dele, os caixilhos das ditas descansavam em cima da sua cama)... tirando isso, além dos danos materiais, não sofreu nada pois na altura do acontecimento não estava lá. Agora é limpar e contabilizar estragos...

Quando chego a casa, já depois do trabalho, cerca das 20h00, tomo conhecimento através dos noticiários das imagens do sucedido e fico surpreendido com o não ter havido vítimas mortais tal é a extensão dos estragos. É impressionante perceber até onde se propagou a onda de choque provocada pela explosão. As imagens do edifício de 13 andares sem os últimos 3 pisos faz lembrar um qualquer cenário de guerra, daqueles que entram nas nosssas casas todos os dias pelos noticiários, mas aos quais não ligamos por ser com os outros, lá longe!

Rui Minderico/Lusa

48 famílias ficaram sem casa, com a vidas viradas do avesso. Outras tantas viram, em poucos segundos, os seus negócios e pertences destruídos... É com estas coisas que me apercebo que não somos nada, que não devemos ter nada como garantido... pensar nisso assusta-me!

Pode parecer parolo, mas escrevo-o na mesma: em vez de andarmos sempre a queixar da vida que levamos/temos, devemos agradecer todos os dias aquilo que temos, somos e, simplesmente, por estarmos vivos - too much Oprah, some may say - mas não me importo! Por isso é tempo de dizer: enjoy life while you have it, you'll never know when it's going to end!

2 comentários:

Paulo disse...

lol
(adorei o parêntesis sobre o teu regresso à blogosfera!)
o relato da experiência está muito realista, digamos. ainda bem que não aconteceu nada de mais com os teus. e concordo contigo: devemos agradecer tanto o que temos e somos e a hipótese de continuarmos! porque tudo desaparece num ápice!
um abraço

Mimulus disse...

Que susto, hein amiguinho! Qual foi a causa da explosão?
É isso aí, só temos sempre o momento presente.
Too much Oprah, mas eu adoro a Oprah!
Fico feliz que não houve nada contigo.

Abraços