quarta-feira, dezembro 05, 2007

Conhece o teu inimigo

Há certos assuntos que devem ser mantidos no seio privado em que cada um de nós reside... por questões de pudor, embaraço ou simples aversão. Contudo, nenhuma das razões, apontadas anteriormente, foram razão suficiente para não publicar este post. Sendo assim, e perdoem-me as almas sensíveis, aqui vai:

Escherichia coli
Eis a imagem da desgraçada que me deixou K.O. por 6 dias consecutivos com uma bela de uma cistite aguda... bem, ela e mais o nosso hiper-mega-re não fixe e incompetente SNS (Serviço Nacional de Saúde), mas sobre este último nem me apetece falar, senão enervo-me!
Não vou falar sobre o Serviço Nacional de Saúde
Um destes dias pode ser que me apeteça falar sobre o recente sistema de gestão das urgências no Hospital de São Bernardo em Setúbal que, com o ineficaz sistema de triagem de Manchester, atribuiu à minha causa uma pulseira verde (pouco urgente!) só porque não entrei aos gritos, ou a espernear, ou chorar, rebolar, etc., pela sala da triagem.
Resultado: dei entrada no serviço de urgência, cerca das 11h30 da manhã, sem febre mas com algum mal-estar e fui atentido 6 horas depois (sim, leram bem, SEIS), tendo saído do hospital sem ter efectuado qualquer análise ou exame (além de umas pancadas no baixo ventre e uns murrinhos nas costas), com um enorme mal-estar e com 38,5º de febre.
Ah, estou a ser injusto! Trouxe comigo o receituário prescrito e a recomendação de que fosse pedir consulta à minha médica de família para que, pasme-se, ela me passasse as credenciais para ir fazer depois os exames e análises que me deveriam ter sido feitas no hospital - esta última parte já sou eu a pensar, não foi o que me disseram.
Fantástico! Estar doente já é, por si só, castigo suficiente. Mas estar doente em Portugal e depender do SNS é uma espécie de Purgatório, em vida, na Terra.
O que se passou, o que eu e todos os outros passaram, nas seis horas que estive refém na recepção do hospital é uma aventura digna de um filme... ainda não sei bem é de que género!
Não vou falar sobre datas de greve convenientes
Ah... e nem vou falar do facto de que tudo começou na passada sexta-feira, dia em que se decidiu fazer uma greve geral, razão pela qual não fui prontamente atentido no centro de saúde da minha área de residência - digam o que disserem, estou com este moço, também não acredito em greves às sextas, segundas e entre pontes. A ideia que passa sempre é que a malta até adere à greve porque dá jeito, mete-se o fim de semana e tal... Aos sindicatos também dá jeito e ficam felizes porque são os números de adesão que lhes interesa... Ao governo, deverá dar jeito porque poderão assim argumentar que a adesão se deve ao facto da data ser conveniente... e quem se lixa é o molusco de sempre!
Bem, adiante, os únicos dois médicos que lá estavam em serviço não lhes competia, nesse dia específico, receber os doentes da consulta externa. O médico que competia estar a fazê-lo estava antes a exercer o seu direito de fim-de-semana prolongado, digo, greve. Assim, fui aconselhado, por uma administrativa sorridente e simpática (não se deve apontar apenas o mau), a deslocar-me ao hospital.
Quando cheguei à recepção do hospital era um mar de gente, estava abarrotada de urgências com certeza bem maiores que a minha que, achava eu na altura, tratava-se apenas de uma simples febre. Por isso dei meia volta e regressei a casa, na esperança que a coisa passasse com uns antigripais.
Depois deste episódio até à segunda-feira seguinte, no episódio das urgências do hospital que contei em primeiro lugar, foi sempre a descer.
E para quem não queria falar, acabou por falar muito...
São experiências a guardar para, daqui a muitos anos, contar aos mais novos, quando o mundo for um sítio perfeito e situações destas serem encaradas com muito riso e alguma incredulidade!
Enfim, o que há a reter é que hoje já me encontro consideravelmente melhor e sinto que a batalha está quase ganha. Digo quase porque ainda tenho pela frente uns quantos dias de antibiótico para tomar. Mas só o poder estar aqui a contar um aspecto menos salutar da minha everyday life é já uma conquista e as conquistas são para se comemorar!
Assim sendo:
Eu:1 - Escherichia coli:0

1 comentário:

Mimulus disse...

Puxa, são cada vez mais resistentes mesmo esses seres que nos atacam. Fico feliz que esteja melhor.
Vc disse que em Portugal depender do SNS é o Purgatório. Pois bem, no Brasil depender do INSS é uma espécie de Inferno, eu te garanto :).
Independente do antibiótico, tomar suco de laranja com uma folha de couve batido ajuda a fortalecer o sistema imunológico [mal não vai fazer :) ].
Abraços