quinta-feira, dezembro 27, 2007

Las Vegas arrived in town

Devem faltar poucos natais para começarmos a ver aqui nas nossas marquises (existe palavra mais suburbana?) decorações iguais às destas fotos:


"O fulano do 5.º Esq. já meteu um Pai Natal, um boneco de neve e uma rena insuflável na varanda, já ligou para a EDP vir aumentar a potência eléctrica de maneira a que o quadro aguente os 125 metros de mangueiras de luzes, por isso eu tenho que me esmerar ainda mais este ano!"

Uma das coisas que me irrita nesta época, entre tantas outras, são as exageradas decorações de Natal espalhadas no exterior de varandas, marquises e janelas das fachadas de prédios de apartamentos suburbano-deprimentes.
Será uma consequência natural da globalização da nossa sociedade portuguesinha, onde cada vez mais se abraçam costumes vindos dos States (que não fazem muito sentido por cá) em detrimento das nossas próprias tradições? Ou será mais uma das muitas vertentes da exaltação das aparências, cada vez mais em voga aqui pelo burgo?
O certo é que cada vez mais se vive o Natal para fora das portas das casas. Quanto mais ostensivas e brilhantes forem as decorações espalhadas no exterior melhor! O importante é que toda a vizinhança, o bairro, a cidade, o país e o mundo vejam a quantidade de lâmpadas que conseguimos colocar no meio metro quadrado que nos coube da fachada do prédio onde habitamos. Daí até à competição, sempre saudável pois claro (até porque nesta época todos os sentimentos e acções são embebidas de uma paz-podre natalícia), entre cada fracção do condomínio é um pulinho. Resultado: temos Las Vegas na cidade e a EDP agradece!
Dentro de casa, muito provavelmente, nem um sinal que é Natal. Passam-se dificuldades; não há carinho, respeito e amor no seio familiar; não há o que comer; não há dinheiro para presentes, mas vai-se ao cartão de crédito e endividamo-nos por mais cinco anos, para não fazer má figura em frente aos miúdos; mas tudo isso é secundário e indiferente. Fora de casa, no dia a dia, a mesma animosidade de sempre no trato com os outros; a mesma falta de paciência para tudo; o mesmo chico-espertismo nas acções. Agora faltarem as decorações de Natal, isso é que não!
Posso estar errado, estar a generalizar o fenómeno, a meter tudo dentro do mesmo saco, mas parece-me ser essa a linha de pensamento reinante nesta época.

1 comentário:

Paulo disse...

A mim também me irrita o exagero das decorações. Gosto das luzes nas ruas, mas nas varandas, nas marquises, etc. é de fugir. Acho que por cá não pega, além de sair caro à conta de luz. De facto, o que importa é o que se vive dentro e não exteriormente. E neste sentido também prefiro muito mais o presépio tradicional, com as figuras e o musgo, sem pais-natal e crises consumistas.
Um abraço