domingo, janeiro 27, 2008

Fim de fim de semana

Estava preparado para passar o domingo a larvar no sofá, a embrutecer mais um dia em frente à tv, a maldizer a minha existência triste, quando resolvi dar ouvidos à minha mãe que me disse que não ficasse em casa a definhar e que fosse sair, ir viver, aproveitar o sol que estava. Então, depois de muita insistência da parte dela, lá a fui buscar e ao meu sobrinho e fomos dar uma volta.
É só um café, pensei com os meus botões enquanto guiava o carro até lá, mas depois de travar uma luta comigo mesmo, lá resolvi fazer algo diferente e fomos todos até a uma esplanada na praia de Albarquel. Não é a praia mais bonita daqui, mas é a mais próxima e, como ando de neura, resolvi não esticar a corda demais. Assim já estava bom. Chegámos lá, estivemos um pouco no café e depois resolvemos dar um passeio à beira da água.
Estava um sol maravilhoso. Havia muita gente também a passear por lá, famílias, casais de namorados, grupos de amigos, novos, velhos, crianças, cães, tudo com ar feliz - nem parece que se está num país à beira do abismo... Não há crise, não há recessão, não há aumento de preços, não há trabalho precário, não há desemprego, não há o que seja, que tire esta mania a esta gente lusa - assim que aparece um pouco de sol, larga tudo e segue em debandada para as praias. Temos uma país de merda, mas ao menos temos bom clima! Enfim, considerações deprimentes de fora, acabou por ser excelente!
De tanto que me fecho sobre mim mesmo acabo por esquecer o quanto me tranquiliza e faz bem ver o mar, apanhar sol na tromba... e está tudo aqui ao lado! A sorte que tenho por poder usufruir disso e não aproveitar... sou um parvo! Obrigado mãe e obrigado Quicas.

1 comentário:

Pinguim da Neve disse...

Olá, E! Vivemos num paía abençoado pelo Sol...um país tão surreal... que seria uma incomensurável fonte de inspiração para o Eugène Ionesco.Um país onde se fecham os hospitais e as maternidades mas se abrem clínicas para a prática do aborto.Um país onde bébés de 2 meses morrem à porta dos hospitais por falta de assistência. E onde se grita que a população está a envelhecer!Um país onde os alunos podem faltar às aulas e passam de ano, felizes e contentes.
Um país onde há tanta coisa má.

E no entanto, um país que é um jardim à beira-mar, que é meu e que eu amo, mimo e cultivo como só fazemos ao que é verdadeiramente nosso.
Porque temos sol, temos mar, temos flores, temos cheiros e sabores do
sul, somos mediterrânicos, somos terra a terra, somos matarruanos -
olhamos com desconfiança tudo o que nos pareça suspeitamente "à frente demais"...
E temos dias de sol e passeios à beira mar para combater neuras tuas e minhas.
Abraço
M.