quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Da Literatura

Há já alguns meses que leio quase diariamente o blog Da Literatura onde Eduardo Pitta deixa as suas opiniões atentas ao que se vai passando aqui pelo burgo. A sugestão de leitura foi dada pelo pardinho do costume.
Até esse momento não o conhecia, nem ao seu trabalho (não sou grande amante de poesia), nem às suas críticas literárias no jornal Público (raramente compro/leio jornais...), estava completamente a zeros, não sabia nada sobre este autor... confesso isso tudo. Cruxifique-me quem estranhe ou se ofenda com isso!
Comecei por apreciar o estilo dos seus textos bloguistas e acabei por tornar-me seu leitor assíduo. Quando saiu o romance Cidade Proibida, não fui a correr comprá-lo. Só algum tempo depois, após ter lido umas quantas coisas pela blogoesfera e noutros sítios onde o referenciaram, acedi a comprá-lo, meio céptico mas com alguma curiosidade. Andei com ele lá por casa à espera que a vontade de lêr voltasse - há já algum tempo que os livros me deixaram, ou deixei-os eu? Anyway, este fim de semana obriguei-me a reavivar essa vontade e lá fui à estante procurar pelo livro. Comecei muito devagarinho no Domingo e na Segunda à noite terminei-o. Também porque é pequeno em número de páginas, pouco mais que as 130. O estilo é curto e grosso, sem rodeios e grandes floreados.
Não vou tecer uma crítica sobre a obra até porque, muitos e com maior autoridade para tal, já o fizeram. E nem eu tenho pretensas a crítico! Deixo-vos somente a minha humilde opinião de leitor destreinado.
Mais que um romance de temática homossexual (como é maiormente rotulado) este trabalho fala sobre a alta classe portuguesa, fechada sobre si mesma, classista, snob e arrogante - os verdadeiros money people que em nada têm a ver com o piroso jet-set das Lilis e afins. A história de Martim e Rupert pareceu-me secundária. Podia ser a história de João e Maria, ou Isabel e Joana, era igual. Na leitura que fiz o maior interesse do autor pareceu-me ser a vontade de falar sobre outras coisas - como a história recente entre Portugal e as ex-colónias africanas, os destinos dos que partiram e dos que ficaram, o racismo e o classismo, para mencionar só algumas. Mais que abordar as dificuldades amorosas entre duas pessoas do mesmo sexo - no caso destas duas personagens, serem gays era o menor dos seus problemas - o autor aborda as dificuldades de um amor entre duas pessoas oriundas de classes sociais completamente diferentes. Gostei.

1 comentário:

pinguim disse...

É um blog obrigatório, é como ler um jornal que selecionou para nós o que há de importante...