terça-feira, fevereiro 05, 2008

Foi na Expo - I

Sábado passado estive no Parque das Nações para um jantar agradável com a V, com quem já não estava há muito tempo. Finalmente lá conseguimos conciliar agendas e ainda bem. Como ela estava a trabalhar até às 19h00, resolvi ir mais cedo e dar uma volta por lá, fazer também uma ronda às minhas lojas preferidas do centro comercial (aproveitar os saldos) e comer uma junk food meal.
Ora, foi no terraço do centro comercial com esta vista priviligiada para o parque e para o Tejo, ao mesmo tempo que matava saudades de um menu KFC, que me apercebi o quão importante aquele sítio tem sido na minha vida. Recordei que foi ali que tomaram lugar alguns dos acontecimentos mais marcantes na minha história recente e apetece-me deixar isso por escrito. Como tenho tanta coisa para recordar, este post terá de ser repartido.
Curioso ter pensado nesse balanço agora que, precisamente, se completam 10 anos desde o "nascimento" desta nova zona da cidade de Lisboa, refeita totalmente de raíz para receber a famosa Expo 98 e lugar que, para que se lembra, era composto por terrenos baldios, fabris e lamacentos - hoje em dia é um luxo poder viver ali, go figure!
Bem, vamos lá então recordar (este blog é melhor que uma novela ou um filme, também temos flashbacks).
1998 - Ano da Exposição Mundial.
O ambiente que se respirava no espaço da Expo era contagiante, eufórico, mágico, tudo parecia possível e Portugal (Lisboa?) parecia um país renovado, moderno, culto, tolerante e com os olhos postos num futuro promissor.
Foi nesse Verão que assisti a dois concertos maravilhosos da dupla Maria João e Mário Laginha.
O primeiro, ocorreu numa noite fria e ventosa, intitulava-se "Fado do Improviso", com participação do já falecido Carlos Zel. Este assisti com o meu irmão mais velho e pardinho (o bilhete foi o meu presente de aniversário para ele) e com a Catarina (o que será feito dela?) no Anfiteatro da Doca dos Olivais - aquele com o palco flutuante. Depois a noite, se não estou em erro, acabou no Bairro Alto, a discutir fenomenologia, entre uma bebida e outra...
O segundo concerto, na Praça Sony, assisti bem encostadinho ao Fabien, com uma chuva miudinha, mas onde ninguém arredou o pé - a Maria João avançou para fora do palco e fez o concerto todo debaixo de chuva, como nós, arriscando-se a dar cabo da saúde mas por solidariedade da assistência que não ia embora só para a ouvir. Foi lindo!
Outro concerto que ficou na minha memória foi aquele com Marisa Monte (uma das minhas cantoras de eleição), Cesária Évora (a Sra. Morna) e Dulce Pontes (antes da loucura). Simplesmente espetacular.
Mas o maior contributo para a construção da minha personalidade, aconteceu na noite desse segundo concerto assistido com o Fabien (um namoro de Verão) onde senti, pela primeirra vez, que afinal era possível viver a minha sexualidade sem qualquer espécie de sentimento de vergonha. Com ele andei de mão dada e abraçado, como verdadeiros namorados, sem termos de esconder nada. Foi também com ele que dei os meus primeiros beijos num espaço público, no então exuberante Jardim Garcia da Horta, com o Tejo mesmo em frente. Talvez pelo ambiente mágico que se vivia no espaço da Expo, já referido, talvez por acharem que éramos estrangeiros e lá essas modernices eram permitidas, não sei, o que é certo é que não fomos apupados, nem apedrejados, nem perseguidos. Sentia-me estranho e, ao mesmo tempo, contente por isso. No final da noite ao despedirmo-nos, perto da Gare do Oriente (nenhum de nós vivia em Lisboa), levei um grande e demorado beijo na boca. Nessa noite fui para casa com um sorriso estupidamente feliz estampado na cara.

4 comentários:

Paulo disse...

Conheço a sensação do "sorriso estupidamente feliz estampado na cara" e é do melhor!

pinguim disse...

Sucedeu-me o mesmo exactamente, uma noite de fin de ano, já há tempos, em Madrid, sempre de mão dada, aos beijos e quando , de madrugada regressávamos ao hostal, parámos para beber algo quente e casualmente estava ali uma rapariga portuguesa que ao ouvir-nos falar portugu~es perguntou se nos tinhamos divertido e fiquei admirado comigo próprio quando lhe respondi que sim, mas o melhor seria agora, na cama...
Ficou de boca aberta... eh eh eh

V disse...

Obrigada também pela companhia ao jantar e sobretudo, pela conversa! Anos de saudade, dos anos em que fomos separados à nascença e que temos de colocar em dia! Já vou tarde a dizer obrigada mas tenho andado longe do teu blog (agora ando longe de blogs pessoais por razões de pudor, porque me preocupa ver a nudez de certas pessoas em público quando não o fazem comigo em privado)!
Beijos de amor de irmã de carne, sangue e espírito!

Graphic_Diary disse...

V
Obrigado eu mil vezes e paramos por aqui a troca de agradecimentos.
E olha, nunca é tarde para essas coisas. Entre verdadeiros amigos não há tarde, nem cedo, ou melhor, não há essa coisa do tempo, não sabias? Agora ficas a saber!
Confesso que ainda não sei lidar muito bem com a força do teu amor pela minha pessoa. I think I'm not worthy!
Beijos mil