sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril

O ano passado ainda tive tempo para articular um post mais ou menos decente (flashback manhoso neste link) dedicado a este dia tão importante na história recente de Portugal.
Este ano, no meio da turbulência em que tenho estado envolvido nos últimos dias, só tenho tempo para deixar esta música. Ouvi-a recentemente no rádio do meu telemóvel - agora ando artilhado com headphones para não ter de ouvir as conversas parvas que pululam nas muitas viagens que tenho feito durante esta semana a caminho de Lisboa.
A mim, esta música, mais que a lembrança de uma revolução que não vivi, traz-me a lembrança do meu irmão Carlos a tocar, muitos anos mais tarde, na sua guitarra esta e tantas outras músicas de intervenção que, muito provavelmente, foram-lhe ensinadas/incutidas pelo nosso queridíssimo e muitíssimo marxista-leninista pai.
Esta era sem dúvida umas das suas favoritas, pois tocava-a com maior frequência.
Recordo-me também da sensação de espanto com que fiquei quando escutei a letra com atenção e, como que uma luz que se acendesse dentro da minha cabeça, constatei o quão forte era a sua primeira frase.


Livre (Não há machado que corte)
Música e Intérprete: Manuel Freire
Letra: Carlos Oliveira


Não há machado que corte
a raíz ao pensamento
Não há morte para o vento
não há morte

Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida
sem razão seria a vida
sem razão

Nada apaga a luz que vive
num amor num pensamento
porque é livre como o vento
porque é livre

Sem comentários: