sexta-feira, abril 18, 2008

Transportes Públicos

Como referi no post anterior, estes últimos dois dias em que andei num lufa-lufa entre Setúbal e Lisboa aconteceram-me alguns episódios caricatos aos quais já não estava habituado.
Há cerca de três anos que deixei de trabalhar em Lisboa e desde aí que trabalhei sempre em locais perto de casa, o que me afastou destas lides diárias de autocarros, motoristas, passageiros e corridas para o próximo metro.
Ora, no primeiro dia até que a coisa correu bem, não andei em correrias, consegui apanhar tudo a tempo e a horas, sem grandes falhas entre transbordos. Até consegui arranjar estacionamento para o meu carro ao pé da estação rodoviária para que quando chegasse, no final do dia, pudesse ir de carrinho para casa e não a pé debaixo desta chuva horrorosa que tem estado.
A registar só as conversas parvas que fui apanhando, mesmo não querendo, entre as duas raparigas que se sentaram ao meu lado no autocarro (nem vos conto o teor da mesma que era de ruborizar) e uma outra entre cinco adolescentes no metro (sobre a diferença entre os filmes de animação em 2D e em 3D - as pérolas!), mas estes fenómenos até alegram o dia de uma pessoa - se não pensarmos muito profundamente sobre a coisa.
O pior registo foi no final do dia, já no autocarro de volta para Setúbal. Sentou-se ao meu lado um rapaz muito bem apessoado mas a cheirar um suor de mil refogados hiper concentrados, daqueles bem fortes de fazer chorar os olhos e as pedras da calçada também! Fui o caminho todo a rezar para que eu conseguisse adormecer profundamente e assim não suportar com consciência aquele suplício, o que não aconteceu... depois passei a rezar para que fosse ele a adormecer para que não se mexesse muito e assim emanar a toxicidade em forma de cebola em menor quantidade. Só 40 minutos depois consegui respirar ar puro, já fora do autocarro, não muito são mas salvo!
Hoje a coisa já não correu tão bem quanto isso. No final do dia demorei-me um pouco mais no trabalho, perdi uma ligação no metro da Alameda para Oriente por segundos. Depois, chegado à estação Oriente tive de sprintar até aos autocarros mas perdi o meu por fracções de milésimos de segundo - arrisco a dizer que o motorista (o cão!) saiu antes da hora. Resultado: tive de esperar 40 minutos pelo próximo. Como é do conhecimento dos seus frequentadores há lá sítio pior para se estar à espera de um autocarro em dias de chuva que na Gare do Oriente? Ao fim de 5 minutos e de estar encharcado, resolvi ir para um café. Já só voltei quando faltavam 10 minutos para o tão esperado transporte para casa. Entrei no autocarro, sentei-me e quando fechei os olhos comecei a ouvir uma discussão entre o motorista e um passageiro. Parece que tiveram um confronto na estrada, anterior e fora daquele contexto, mas o passageiro resolveu tirar satisfações ali, no local de trabalho do motorista - achei mal. O motorista não se fez de rogado e aquilo quase que acabou ao murro. Estivemos naquele impasse, impávidos assistentes daquele bate-boca, perto de uns 10 minutos, depois deve-se ter feito luz na cabeça do motorista, pediu desculpa aos restantes passageiros e foi para o seu posto de trabalho. O outro parvo, ainda atirou umas bocas para o ar, mas acabou por se calar. Show is over, fechei os olhos, já posso dormir descansado, penso eu. Aninho-me e sinto alguém sentar-se no banco da frente. Quem era? Só pelo cheiro percebi logo. É muita coincidência ter o mesmo tipo, com o mesmo cheiro, em dois dias diferentes, sentado perto de ti num autocarro... Só me apeteceu foi gritar, mas em vez disso mudei-me para o lugar do lado e fiquei a pensar se seria de mau tom oferecer um desodorizante ao rapaz da próxima vez que o apanhar no caminho para casa... o que me dizem?

4 comentários:

Aequillibrium disse...

mau tom , mas com bom odor... ;)

pinguim disse...

Primeiro um sabão, nem que seja sabão-macaco...
Abraço.

Graphic_Diary disse...

:)
Seja o que for, deverá ser algo bastante forte!

Paulo disse...

Para não apanhar conversas parvas ou a música de um qualquer telemóvel em fúria, levo os auriculares e o leitor de mp3. É um regalo!
As sagas dos transportes também são um regalo de mau humor, mas encontra-se de tudo. E se fosse eu a ti arranjava mesmo um desodorizante para oferecer ao tipo, não vá ele aparecer novamente!