domingo, março 30, 2008

20 segundos, fazem toda a diferença

Recebi este vídeo por email agora mesmo e pensei, ora aí está uma boa maneira de resolver as coisas. É uma solução violenta, mas há situações que assim o exigem. Parece que a SIC passou isto na televisão, não sei em que termos foi apresentado.

Com um bocadinho mais de atenção chega-se a esta versão completa (com mais 20 segundos) e percebe-se que afinal era uma brincadeira. (este vídeo tem muito menos visualizações, pouco mais de 120 mil contra as quase 4 milhões de visualizações do primeiro) .

No final o professor diz: "nah im just fucking with you guys, he's my friend James"... Será que a SIC se deu ao trabalho de averiguar isto? De qualquer das maneiras, é uma ideia a reter para casos mais drásticos. Já diziam os latinos "extremis malis extrema remedia"

quarta-feira, março 26, 2008

If you don't deserve an award, who does?

Aqui vão três anúncios de uma campanha para o "The One Show", intitulada "If you don't deserve an award, who does?" (bem a propósito do meu post de ontem). O "The One Show" é uma cerimónia de entrega de prémios, a decorrer de 5 a 8 de Maio, para os melhores trabalhos no campo da publicidade (print, radio, television, design, interactive e new media) - mais info aqui. Como é em Nova Iorque e não fica em caminho, não devo ir...

O que vão ver nestes vídeos é simplesmente aquilo por que a maioria dos criativos passa nas várias fases do seu trabalho. As sensações que nos perpassam pelo corpo todo em situações parecidas vão, na sua maioria, no sentido contrário da diversão destes vídeos. É mais na base da raiva, da tristeza, da angústia e do cansaço. Falo por experiência própria que, já por algumas vezes, tenho vivido na pele as três situações aqui demonstradas:

Frankenstein - ou Briefing de Loucos


Wife - ou a P*@ta da dondoca da esposa do cliente


Bear - ou Briefings que dão luta

Merecedores de prémio estão Gus Lauria e Philip Bonneryda, membros equipa criativa da La Comunidad - agência em Buenos Aires e Miami, de dois irmãos: José e Joaquín Mollá. Excelente trabalho!

terça-feira, março 25, 2008

Vanitas vanitatum et omnia vanitas*

Este blog é o meu espaço "privado", onde ocupo o meu tempo livre com algumas parvoíces que vou por aqui postando e com o qual não quero conectar a minha vida profissional. Por isso raramente falo aqui acerca do meu trabalho, não gosto muito de misturar as coisas - para isso já tenho o meu desactualizadissimo portfolio on-line. Como diz a expressão, trabalho é trabalho e conhaque é conhaque...
Mas como não há regra sem excepção, hoje vou abrir uma por simples vaidade, confesso!
Um dos últimos trabalhos que fiz foi referenciado como o 'WEB DO MÊS' na Revista Channel Partner, (nº44, deste mês, na página 4). A César o que é de César, como tal, a mim coube-me toda a parte de design da estrutura, o layout/aspecto gráfico da coisa, o que deve ter contribuido de alguma maneira para esta atribuição - deve dar, pelo menos, um folhinha ou duas de louro. :-)
Aqui fica o recorte de imprensa (antes da baba lhe ter caído em cima) que não me deixa mentir:
*Vaidade das vaidades, tudo é vaidade

segunda-feira, março 24, 2008

Chama Olímpica

Heinrich Friedrich Füger, 1817 - Prometeu traz o fogo à HumanidadeDiz a mitologia grega que Prometeu (titã grego que criou o homem a partir do barro) foi punido por Zeus (deus supremo do Olimpo) por ter roubado e oferecido à humanidade o fogo dos deuses. Assim que soube da brincadeira, Zeus ordenou a Hefesto (deus do fogo, na mitologia Romana recebeu o nome de Vulcano - só mais tarde se torna marca de esquentadores) que acorrentasse Prometeu no monte Cáucaso onde o pobre seria visitado por um abutre que lhe comeria o fígado. Por ter qualidades auto-regenerativas, atríbuidas por Zeus (sádico o gajo), o seu fígado voltaria a crescer. Assim, no dia seguinte e durante todos os dias, lá aparecia de novo o passaroco para alimentar-se das iscas constantes de Prometeu.
O castigo seria para durar uns trinta mil anos, não fosse Heracles ou, como melhor o conhecemos, Hércules (herói grego e filho bastardo de Zeus) tê-lo libertado. Consta que este herói, entediado depois de ter terminado os 12 trabalhos, resolveu abrir actividade por conta própria e dedicou-se a este tipo de aventuras. No lugar de Prometeu acabou por ficar o nobre Quíron - o inteligentíssimo e imortal centauro (o bicho que agora o Banif usa na sua imagem gráfica e neste anúncio publicitário), professor, tutor e responsável pela educação de vários heróis gregos, entre os quais Hércules e um outro herói, que haveria de morrer não pela boca mas pelo calcanhar, Aquiles. Quíron foi ferido acidentalmente por Hércules, seu aluno, que lhe acertou na coxa com uma flecha envenenada com o sangue mortal de Hydra - tendo isto em conta, a agora mediática professora de francês pode dar-se por sortuda!
Apesar de ser igualmente conhecido como curador de todas as maleitas, Quíron (isto não era um centauro, era o homem perfeito) não conseguiu tratar a ferida que lhe doía horrores. Como era imortal, não morreria com o veneno de Hydra mas passaria o resto da vida a agonizar. Foi assim que, para poder morrer e acabar com a sua dor, Quíron resolveu trocar a sua imortalidade pela libertação de Prometeu. Hércules foi o responsável pela troca, fazendo de intermediário nas negociações entre Quíron, seu professor, e Zeus, seu pai. A troca fez-se, Prometeu foi libertado e, pela nobreza do seu gesto, Quíron foi honrado por Zeus que o colocou no céu na forma da constelação de Sagitário (bem no centro da Via Láctea). Estes gregos eram loucos!

John Kolesidis/Reuters, 2008 - Maria Nafpliotou entrega ramo a Alexandros Nikolaidis, o primeiro no revezamento da tochaHoje, ritualizando o mito do fogo e para perpetuar a tradição reiniciada em 1936 em Berlim, reacendeu-se a chama da tocha Olímpica na cidade grega de Olímpia. A tocha irá percorrer agora e durante os próximos meses uns quantos quilómetros. Vai passar, de mão em mão, por vários países até chegar ao estádio Olímpico de Pequim, por altura da cerimónia de abertura dos jogos. A tocha servirá depois para acender a Pira Olímpica que se manterá acessa durante todo o tempo que durarem os jogos.
A cerimónia ocorreu hoje com um protesto pacífico e afiguram-se mais acções e protestos até à data de início dos jogos (Agosto de 2008) e, muito provavelmente, durante o decorrer dos mesmos, devido a questões de constante violação de Direitos Humanos por parte do país organizador, China - principalmente agora pela questão do Tibete.

Monkey business

Ora aqui está uma boa lição a reter: não somos pinguins, afinal não passamos é de macacos!

domingo, março 23, 2008

Se todos fossemos pinguins

Anúncio espetacular especialmente dedicado a este Pinguim, aniversariante hoje, em dia de Páscoa.

sábado, março 22, 2008

Dia Mundial da Água


É de fazer crescer água na boca...

Falando de coisas um pouco mais sérias, observa-se hoje pela ONU, o dia Mundial da Água.

As amigas da mamã

sexta-feira, março 21, 2008

Primavera, Páscoa, Árvore, Sono, Poesia e Teatro

Uma árvore, um amigo (para ouvir a música, é aqui)

Há dias assim, em que se festeja tudo e mais alguma coisa! Hoje além de Sexta-feira Santa, comemora-se o início da Primavera (o equinócio foi a 20), o dia Mundial da Poesia e o dia Universal do Teatro (ambos pela UNESCO), o dia Mundial do Sono (pela OMS), o dia Internacional Contra a Discriminação Racial e o Dia Mundial da Árvore - este último é o dia que me lembro de mais festejar na infância, nas várias actividades escolares que se faziam ao som da musiquinha de 1984 com interpretação de Joel Branco (a ouvir no link lá em cima).

O mais interessante, apesar de não ter tido tempo nem pachorra para verificar a veracidade da coisa, são estes factos recebidos via email:

A Páscoa é sempre no primeiro Domingo depois da primeira lua cheia, depois do equinócio de Primavera (20 de Março). Esta data da Páscoa baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano. Este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós irá ver alguma vez na sua vida! E só os mais velhos da nossa população viram alguma vez uma Páscoa tão temporã (mais velhos do que 95 anos!).
  1. A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 deMarço) será no ano 2228 (daqui a 220 anos). A última vez que a Páscoafoi assim cedo foi em 1913.
  2. Na próxima vez que a Páscoa for um dia mais cedo, 22 de Março, seráno ano 2285 (daqui a 277 anos). A última vez que foi em 22 de Marçofoi em 1818.Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa maiscedo do que a deste ano.

quinta-feira, março 20, 2008

O Homem Perfeito

O Homem perfeito afinal existe... num anúncio da GQ...

quarta-feira, março 19, 2008

Amor é...

... chegares a casa com uma rosa para mim

ao fim de quase três anos de namoro, sem ser por alguma ocasião ou efeméride em especial, simplesmente porque sim!

terça-feira, março 18, 2008

The Chart

Ontem, por razões que agora não vêm ao caso, redescobri que o mundo é realmente do tamanho de um grão de areia. Alguém que visito já há algum tempo na blogoesfera (e que igualmente me visita) revelou-se ser, de uma certa maneira, próximo de mim, apesar de nunca termos estado juntos (talvez uma vez só, mas sem certezas ou grandes lembranças de parte a parte).
Isto lembrou-me uma coisa (que li/ouvi algures): a teoria que diz ser possível estabelecer uma relação entre qualquer duas pessoas do mundo, escolhidas aleatoriamente, através de um encadeamento de conhecimentos ou experiências em comum. O que nos faz estarmos todos ligados uns aos outros, de uma maneira ou de outra. Essa teoria permite-me afiançar que já estive muito próximo do Bill Clinton porque eu já dormi com alguém, que falou com alguém, que viajou ao lado de alguém, que dormiu com o ex presidente dos States. Percebem a idéia?
Daí parti para a lembrança do "The Chart", criado pela personagem Alice Pieszecki da série "The L Word" que passou há tempos na 2. Era um pouco essa teoria do "todos estamos ligados" que estava subjacente à construção desse gráfico. Nele figuravam todas as interligações entre as diferentes personagens desta série, desde o início. A ideia foi tão bem sucedida que os produtores da série, já na 4.ª temporada, acabaram por criar um "The Chart" na internet, podem vê-lo aqui (é uma espécie de Hi5 Lésbico).
Se um dia eu me der a esse trabalho, fazer o meu próprio The Chart, sou bem capaz de chegar à conclusão de que já "dormi" com o nosso Primeiro Ministro.

segunda-feira, março 17, 2008

Guerra dos Sexos

Para aligeirar a coisa, depois do post anterior, abordaremos outra guerra - esta bem mais antiga - a eterna Guerra dos Sexos. É um anúncio do jornal inglês "The Mail" e está simplesmente genial. Ora vejam lá se não tenho razão:

Desde o lançamento da pochete da gaja, passando pela investida de carrinhos telecomandados, acabando no contra ataque dos canídeos anões, é só rir do princípio ao fim. Repare-se com atenção em todos os pormenores, nos equipamentos e gadjets que cada facção carrega e percebe-se que nada ali está ao acaso. Muito bom mesmo.
Parece-me que este será sempre um tema inesgotável e sem solução à vista. Como disse Henry Kissinger "Ninguém jamais vencerá a guerra dos sexos: há muita confraternização entre os inimigos" :-) eh eh eh
Descoberto no Felizes Juntos. Obrigado!

Tibet

Para que se perceba o que a China por lá tem andado a fazer nos últimos 50 anos, consultem alguns destes links:

domingo, março 16, 2008

Carlitos II

Quando escrevi este post, a mana caçula ainda não tinha dito nada sobre a data. De todos nós irmãos, ela era aquela que tinha a relação mais especial com o Lita, pelo menos é assim que eu sinto a coisa. Estranhei ela não ter feito referência alguma no espacinho blogoesférico dela, mas cada um sente a coisa como quer. Mas disse-o depois, aqui, aqui, aqui e mais aqui.
E recordei mais uma vez coisas de um passado, não muito distante, com uma lagriminha no olho que rolou cara abaixo.

sábado, março 15, 2008

Visitante N.º 10000

Apesar dos dados fornecidos pelo Sitemeter, não consigo saber quem é o felizardo que, sendo o visitante número dez mil, teria direito a um fim de semana para dois, tudo incluído, num Spa na famosa estância turística do Principado de Sealand (site oficial aqui).
Sei apenas que veio aqui parar através deste blog que costumo visitar e que não ficou muito tempo. Se és tu, se tiveres maneira de o comprovar, para reclamar o prémio só terás de entrar em contacto comigo.
Convém ser rápido, uma vez que o futuro deste Principado de Sealand é incerto, como podem ver por esta notícia.

9999 Visitantes

Obrigado pela sua visita!
Merci pour votre visite!
Thank you for coming!

sexta-feira, março 14, 2008

Carlitos

Capa do disco "Carlitos" - para recordarem a música é aqui.
O meu irmão Carlos recebeu este disco, em tom de piada e recado, já não sei de quem (acho que foi da nossa avó, mas não sei precisar). Lembro-me que a música "E eu, que sou o Carlitos, até me deito cedo, até me porto bem..." fez parte das sonoridades ouvidas lá por casa quando eu era muito puto. Uns anos mais tarde o meu irmão confessou-me, a rir, que odiava de morte esse disco. Hoje, para fazer este post especialmente dedicado a ele, andei à procura na net por imagens e informações deste single em vinil. Descobri que foi lançado em 1983 e os seus intérpretes, hoje em dia, um par muito improvável: o cantor pimba Fernando Correia Marques (link não apropriado a cardíacos) e o cantor Henrique Feist.
Faz hoje 12 anos que o meu irmão morreu. Lembro-o sempre com muito carinho, as coisas más temos tendência para esquecer, não é verdade? Vantagem de quem por cá já não anda.
Com ele conheci e experimentei muita coisa que hoje percebo o quanto contribuiram e foram importantes para o que eu sou hoje. Na altura não liguei nenhuma.
Alguns exemplos: com ele conheci Patxi Andión (autor que ainda hoje gosto muito de ouvir - não sei se pela obra em si, se com isso sinto-me mais perto do meu irmão), Billy Idol e os Sex Pistols. Lembro-me de uma directa que fizemos juntos, eu não devia ter mais de 5 anos, quando ainda éramos uma família grande e vivíamos todos em Azeitão, onde ele passou a noite a ensinar-me a desenhar - nessa altura nós dividíamos o quarto no primeiro andar da casa. Lembro-me de mim e das minhas irmãs (os três mais novos de seis) odiarmos dormir a sesta, obrigados pela nossa mãe, e então ele vinha em nosso socorro. Levava-nos para as aulas de Educação Visual (onde uma professora simpática nos deixava ficar a assistir), ou então íamos brincar para o Circuito (um campo que havia em Azeitão com diversos obstáculos e provas de ginástica), ou ainda explorar casas em construção nos terrenos à volta. Depois, quando chegava a hora de supostamente acordarmos da sesta, voltávamos sorrateiramente para casa, fintávamos a mana mais velha entrando pela janela da sala e corríamos em pontas dos pés para o quarto . Ele dizia "esfreguem os olhos com força até ficarem encarnados para parecer que estiveram mesmo a dormir". Lembro-me de uma espécie de campismo selvagem por um dia, passeio que fizémos até à Serra da Arrábida em que fomos a pé de Azeitão e eu logo no início do caminho fiquei cansado. O meu irmão então levou-me o caminho todo às cavalitas, mais à mochila e tudo o resto. Podia estar aqui o dia todo a recordar as coisas boas. A última boa recordação que guardo dele foi um encontro ao acaso no jardim do Bonfim, já não vivíamos juntos há algum tempo. Eu estava nos meus 18, ele quase a fazer 25. Estava a andar de bicileta e ele pediu-me para dar uma volta nela. E ali esteve ele às voltas, como um puto, feliz por uns minutos. Depois entregou-me a bicicleta, despedimo-nos e ele levava o sorriso lindo que tinha estampado na cara.
Pouco tempo depois, estava eu em Tomar quando recebi por telefone a triste notícia.
Hoje todos o recordámos, cada um à sua maneira (pardinho, mãe melga e mana), mas com a certeza de que, onde quer que esteja, andará por aí algures a ver as asneiras que andamos a fazer.

quinta-feira, março 13, 2008

Cine-Teatro São João

Ontem à noite fomos até Palmela assistir à peça A Fábrica de Nada, pelos Artistas Unidos.
Gostámos bastante, o texto é excelente, ficámos com pena de não ter comprado o livrinho que estava lá à venda. Não vou falar muito sobre a peça, porque não me apetece e para isso já há muita opinião na net, é só fazerem uma pesquisa no Google, não sejam preguiçosos.

Quero falar sim sobre o que mais gostei de toda a experiência: ter conhecido finalmente o interior do Cine-Teatro São João. Sim, apesar de viver há quase 25 anos em Setúbal e Palmela ser aqui ao lado, nunca tinha entrado no interior deste edifício emblemático de Palmela. Com excepção das cadeiras serem durinhas, durinhas - são ainda as originais em madeira, sem qualquer espécie de conforto almofadado - tudo o resto é fantástico, bonito e em excelente estado de conservação. Os desenhos geométricos do chão, os arcos das portas em madeira, a bilheteira, os forjados dos gradeamentos, a zona do bar, os quadros nas paredes com artistas dos anos 30, 40 e 50 da Hollywood de ouro. Mesmo nas casas de banho se vê o zelo em manter a coisa no original, até nos avisos colocados nas portas dos privados. Um trabalho de recuperação exemplar, onde mais uma vez está de parabéns a Câmara Municipal de Palmela que tem feito um execelente trabalho na área da cultura. Setúbal poderia aprender muita coisa com Palmela. Veremos agora o que vai sair daqui.

quarta-feira, março 12, 2008

Todos os dias contam

Anúncio televisivo da JC Penney Company, uma cadeia de lojas dos States, segundo a wiki do costume. Podem ver mais anúncios espetaculares desta empresa, aqui.

terça-feira, março 11, 2008

London Not So Underground

Autoria: Vadania @ flickr, 2004/01/03

Londres é uma cidade mais à frente, é moderna, tem vida, está sempre actualizada. É uma referência constante no que toca às últimas tendências no mundo da moda, da música, do design, da arte e de tantas outras manifestações culturais. Da cena underground londrina têm saído as mais diversas manifestações e formas artísticas que são depois directrizes pelo mundo fora. Esta é a ideia que tenho desta cidade, ainda não meti lá os meus pezinhos para o comprovar com os meus próprios olhos, mas já está na to do list. É por isso que fico parvo sempre que leio algo como estas duas notícias que vou referir. A realidade entra em choque com as ideias pré concebidas que tenho na cabeça, a coisa não bate certo. Ambas as notícias que vou referir não são novas e volto a elas por duas razões, a primeira porque me apetece, a segunda porque sim!

Existe um comité que gere a publicidade no Metro de Londres ou, como dizem os bifes, no "Tube" ou "London Underground" - e com isto justifico o trocadilho inteligente entre o título do post e o texto que serviu de introdução ao mesmo. No espaço de meio ano este comité foi notícia pelas razões mais tristes: por proibir a afixação de publicidade que considerou como potencialmente abusiva e ofensiva aos utilizadores diários deste meio de transporte... Basta andar pelo metro de qualquer grande cidade stressada para perceber o quão sensíveis e susceptíveis ao choque são os seus utentes. Não parece mau de todo, podemos pensar que se trata de um comité zeloso que se preocupa com os seus clientes. Agora atentemos, com muita atenção, às campanhas alvo da sua rejeição:

A primeira foi em Julho de 2007. Li inicialmente a notícia aqui. Trata-se pois então de uma publicidade da revista Gay Times alusiva às comemorações dos 40 anos da legalização da homossexualidade em terras de Sua Majestade. Começa logo aqui a ironia da coisa - proibição de algo que pretendia festejar o direito à liberdade sexual.Clicar para ampliar O argumento utilizado pelo cuidadoso comité, ao proibir a imagem da esquerda e a obrigar a malta da GT a refazer o anúncio para a opção da direita, foi que na primeira versão um dos homens do casal apresentava um, passo a citar, “unnecessary­ state of undress”. Provavelmente seria bem diferente se fosse um casal hetero na foto, talvez até se estivessem duas mulheres no lugar dos dois marmanjões. Nem vou tecer grandes comentários porque o caso não merece mais que a classificação nas categorias da estupidez e da hipocrisia. A coisa terminou com o anúncio da direita a ser aprovado para as paredes do "Tube". Imagino o balão de pensamento que colocaria no moço que ficou escondido: "Ena! Celebramos 40 anos de legalização da homossexualidade e eu tenho de me esconder atrás do meu namorado para que não se perceba muito bem se também serei um gajo ou não. Não vá a malta ficar chocada..."
A imagem inicial, da esquerda, foi capa da revista no mês de Agosto de 2007 - acabou por estar espalhada por todo o lado na mesma.

O segundo caso, mais recente, foi notícia (em inglês, no Guardian) já em meados de Fevereiro deste ano. Pelo que me apercebi em relação ao caso anterior, este teve maior eco na blogesfera nacional - alguns exemplos aqui, aqui e aqui. Clicar para ampliarA razão de tanto barulho por nada foi esta imagem aqui ao lado. Parece que o criterioso comité viu-se novamente obrigado a proibir a afixação de mais este arrojo publicitário que, pasme-se, ousou utilizar uma pintura de uma Vénus nua e sorridente para promover uma exposição na Royal Academy of Arts do pintor Lucas Cranach (o fulano pintou isto há 476 anos atrás). As razões são idênticas, não vá o sensível e vitoriano metro-transportado sentir-se ofendido com as partes do corpo humano. Cruz credo!
A exposição foi, apesar deste revés, inaugurada há 4 dias e a imagem faz parte de toda a sua comunicação gráfica: website, brochura e poster. Podem fazer o download da introdução à exposição, em formato pdf e em inglês, aqui - também fazemos serviço público por aqui, de vez em quando.

E assim se vai regredindo, a bem da moral e bons costumes, da sensibilidade e bom senso, blá, blá, blá... pergunto-me se estaremos muito longe de começarmos também a indignarmo-nos com cartoons de um profeta qualquer e sair para a rua queimando efígies do cartoonista autor em demonstração do nosso agravo.

segunda-feira, março 10, 2008

Day 69

Para quem pudesse pensar que em chegando ao sexagéssimo nono dia sem fumar, eu fosse recorrer à piada fácil ou uma imagem ainda mais sugestiva, engane-se!
Ilustro a efeméride com o dístico da U.S. Route 69, auto-estrada inter-estadual que atravessa os States de Norte a Sul, ligando o Minnesota ao Texas, percorrendo um total de 1828 km.
P.S. - fazer este post já foi brejeiro o suficiente...

domingo, março 09, 2008

Ainda as mulheres

"Valência, 9 Março - Naide Gomes garantiu a medalha de ouro no salto em comprimento dos Mundiais de Pista Coberta, em Valência, com a marca de 7 metros, que é o novo recorde nacional "indoor" (ficou a apenas 1 centímetro do seu recorde ao ar livre) e a melhor marca mundial do ano" - fonte

sábado, março 08, 2008

100 mil Professorzecos


Diz que foram cerca de 100 mil (o canal 1, estatal, apontava para os 80 mil) os professorzecos "desinformados" (como a Ministra os considerou, aqui) que resolveram aparecer na mega manifestação "Marcha da Indignação" que ocorreu hoje em Lisboa. Tendo em conta que temos cerca de 143 mil professores no país todo, 80 ou 100, é indiferente. Mais de 2/3 da classe foi à rua manifestar o seu desagravo para com as políticas de Educação levadas a cabo por este governo nos últimos 3 anos.
Giro, mas mesmo giro, foi ver a Ministra da Educação no telejornal da Sic, já à noite depois da manifestação, a dizer que compreende o sentimento dos professores, mas que mantém e manterá tudo na mesma. Será autista? Ele há gente ....

Mulheres

Foto da "Marcha da Indignação", Lisboa, 08/03/2008, Inácio Rosa, Lusa

Sempre achei muito "romântica" a história do nascimento deste dia Internacional das Mulheres. As operárias norte americanas que morreram queimadas dentro de uma fábrica, trancada e incendiada por polícias a mando do patronato, durante uma greve onde reivindicavam melhores condições de trabalho e redução da carga horária.
Afinal descubro aqui (comprovo aqui, onde não há referência a esses acontecimentos), que é tudo folclore, mais um mito urbano. Mais informações sobre esta questão polémica (?) da origem desta data, aqui. Mas mais vale assim, do que andar desinformado!
Seja qual for a razão, é um dia que ainda faz sentido comemorar enquanto houver casos como o que mostrei abaixo, enquanto fizer sentido para as mulheres lutarem pelos mesmos direitos dos homens. Num mundo perfeito não haveria estes dias, nem marchas de orgulho, de indignação e por aí fora.
Mas nós não estamos num mundo perfeito, por isso, comemorem-se as efemérides e saia-se para as ruas sempre que uma injustiça social aconteça.

Dia Internacional da Mulher

Marithé et françois Girbaud Campaign - A tribute to women

Baseada na Última Ceia de Leonardo da Vinci, esta imagem pertence a uma campanha publicitária da marca Marithe et François Girbaud que há três anos atrás foi proibida judicialmente em Itália, posteriormente em França, seguida de outros tantos países europeus, por ser considerada uma blasfémia e uma ofensa à Igreja Católica. A agência de publicidade responsável pela imagem foi a Air Paris, o mote: "Tribute to Women" - um tributo à mulher.
Indignamo-nos nós, europeus tão civilizados e cultos, com as reacções dos muçulmanos às caricaturas de Maomé... somos uns cínicos! Este episódio foi muito comentado, na altura, na blogoesfera. Um exemplo aqui.
O que teria sido o mundo se, de facto, a última ceia tivesse sido assim? - pergunta retórica... e sem jeito nenhum, mas que não sei por que força desconhecida, não consegui evitar de deixar aqui.
Este tipo de espisódios provam-nos que ainda faz sentido comemorar-se o Dia Internacional da Mulher e que será comemorado ainda durante muito tempo.

sexta-feira, março 07, 2008

Façam o favor de ser felizes

A minha mãe melga foi-se abaixo desde um incidente que teve com a chefe – uma estúpida, pouco mais velha que eu, a querer mostrar serviço maltratando quem está sob o seu comando... Foi uma insolente com a minha mãe e não deveria ter agido como agiu – por muito certa que esteja não é aos gritos e com faltas de respeito que se resolvem os problemas no local de trabalho (por muito que nos apeteça fazê-lo) – deveria ter sido mais humana, nem que fosse por respeito aos quase 62 anos da minha mãe. Resultado disso, uma crise de nervos e um ataque de falta de ar na minha mãe. Fui chamado para a ir buscar ao trabalho e levá-la para casa. Ela agora está em casa de baixa, a ver se trata a depressão em condições e sem a influência negativa e destruidora da chefe. Como a melguita anda tristonha por estar em casa sem muito que fazer, ontem fiz-me de convidado para lá ir almoçar hoje. Assim, em vez de se enterrar no sofá, lá teve de fazer almoço para ela e aqui para o filhote. O que ela se importa!! Fez um belo Bacalhau à Brás que, para não variar, estava excelente!
Já ia eu no caminho de volta para o trabalho, dentro do carro e debaixo do sol maravilhoso que ameaça mas ainda não está a 100%, liguei o auto-rádio e estava a começar esta música.

Já me tinha esquecido o quanto gosto de Morcheeba e o quanto é boa onda ouvi-los.
Escusado será dizer que vim o caminho todo a fazer figuras tristes, a cantar e a dançar dentro do carro.
Com esta simples música senti-me extremamente feliz por três minutos e cinquenta e dois segundos. Desta experiência cheguei rapidamente ao pensamento-lugar-comum sobre a felicidade e o que afinal ela é (está nestas pequenas coisas, não numa meta concreta e blá, blá, blá). Quando andamos em baixo, pensamos que nunca sairemos do estado cinzento em que nos metemos; não apreciamos as coisas boas que temos à nossa volta, tudo é mau; o caminho é longo, doloroso e não vale a pena; desesperamos de tanto que esperamos pela FELICIDADE que nunca bate à porta – excpetua-se o caso Euromilhões.
Nessas alturas é uma boa lembrarmo-nos desta pergunta "Não sabes que Roma não foi feita num só dia?", assim é a felicidade. Também não surge de um dia para o outro, nem é uma meta, é um caminho e o que fazemos enquanto por ele andamos. E por aí fora...
Fica a musiquinha, para quem queira ouvir, abanar o esqueleto e ser feliz durante e pelo menos 3:52.


Rome wasn't built in a day
Morcheeba

You and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we'll fly away
Don't you know that Rome wasn't built in a day

In this day and age it's so easy to stress
'Cause people are strange and you can never second guess
In order to love child we got to be strong
I'm caught in the crossfire why can't we get along

'Cause you and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we'll fly away
Don't you know that Rome wasn't built in a day

I'm having a daydream, we're getting somewhere
I'm kissing your lips and running fingers through your hair
I'm as nervous as you 'bout making it right
Though we know we were wrong, we can't give up the fight
Oh no

'Cause you and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we'll run away
Don't you know that Rome wasn't built in a day

You and me we're meant to be
Walking free in harmony
One fine day we'll fly away
Don't you know that Rome wasn't built in a day

You and me (you and me) we're meant to be (meant to be)
Walking free (walking free) in harmony (in harmony)
One fine day (one fine day) we' ll ran away (we gonna ran away, we gonna ran away)
Don't you know that Rome wasn't built in a day

You and me (you and me) we're meant to be (meant to be)
Walking free (walking free) in harmony (in harmony)
One fine day (one fine day) we' ll fly away (we gonna ran away, we gonna ran away)
Don't you know that Rome wasn' t built in a day

Sodoma

"recursos humanos
o Público de hoje analisa quais os tópicos mais desejados pelos empregadores em relação aos jovens licenciados. esqueceram-se de lá colocar a disponibilidade para a sodomia."


Retirado daqui. Sentido na pele, todos os dias.

quinta-feira, março 06, 2008

Inspirações

De deixar um tipo de boca sêca.

Hoje fiquei a conhecer um acervo enorme de boa publicidade, print, tv-spots, behind the scenes/making-ofs, campanhas completas, o que quiserem. Para os apreciadores de publicidade e design gráfico, aqui ficam os endereços para horas a fio de inspirações:
Aqui na versão original russa, aqui na versão em inglês.

quarta-feira, março 05, 2008

Hard Candy

A poucos meses de completar 50 anos de idade, 25 de carreira, Madonna lança o seu 11.º album de estúdio, último com a label da Warner Music. O Sr. que se segue é a Live Nation que, num contrato milionário, contará com a Queen of the Pop até aos seus 60 anos... nessa altura, a Material Girl será uma Material Granny, conseguem imaginar?
No próximo dia 28 de Abril o albúm, com o nome "Hard Candy" é lançado na Europa, no dia a seguir, nos States. Esperava-se pelo primeiro single nos finais de Março, mas aqui o mano faroleiro já o tem a bombar no blogue dele - Four Minutes To Save The World, com Timbaland e o principezinho da pop, Justin Timberlake que participam em mais músicas deste album. Repetem-se algumas receitas já usadas anteriormente.
Diz o Mirror que o vídeo mostrará Madonna no papel de Dominatrix, num fato de látex à la Catwoman, a chicotear Timberlake e Timbaland, eh eh eh... Noutra cena Madonna será um chulo que salva o planeta em 240 segundos, aqui Timberlake e Timbaland serão as suas 'sras de vida duvidosa, que ninguém duvida'. A ser verdade, a coisa promete!
Esperemos então pelas novidades da Rainha, agora na forma de doce duro de roer.

Fontes: aqui, aqui, e aqui.

terça-feira, março 04, 2008

Novo Modelo de Contratação de Professores

Clicar na imagem para lêr a coisa em grande.

Pelo descarrilar da carruagem, não deve faltar muito até que o Ministério da Educação se lembre de fazer uma listinha com normas de conduta desta mesma natureza para os nossos professores. O documento é um contrato de trabalho, datado de 1923, vindo da vizinha Espanha, mais especificamente da região de Castilla-La Mancha... Does D. Quixote ring a bell? Nuestros hermanos son más locos que nosotros!
Enviado por uma professora amiga que ainda tem sentido de humor!

Bons e maus professores

Foto daqui.

Em Março do ano passado (flashback aqui) dei uma espreitadela no mundo do ensino, como professor, por contratação directa de escola.
Estava a terminar o meu estágio aqui, ao abrigo do programa PEPAP - mais uma aldrabice inventada por este governo para diminuir o número de desempregados licenciados das estatísticas do instituto de (des)emprego e encher de ilusões os mesmos. Na recta final já sabia que não ia ficar colocado no meu local de estágio apesar de fazer muita falta por lá. Mas o governo assim não o permitiu ao proibir a posterior contratação dos estagiários a toda e qualquer entidade que os acolheu. Assim comecei a procurar saídas para não voltar para o desemprego e desta feita sem subsídio.
Uma tarde, por mera curiosidade, inscrevi-me num software on-line de contratação de professores num site do Ministério da Educação. Informei-me, percebi como a coisa funcionava (estudei a legislação para perceber em que disciplinas eu tinha habilitação própria para a docência) e resolvi tentar a minha sorte, porque não? Não tinha nada a perder. Depois de preencher os meus dados, acabei por responder a uns quantos anúncios. Uma semana depois estava a ser chamado para ir dar aulas numa escola relativamente perto da minha casa e para começar na semana logo a seguir!!! Fiquei aterrorizado com a ideia e mais espantado ainda por ter sido o candidato com o melhor perfil para a coisa. Depois de me informar na DGAP de que não sofreria qualquer sanção por abandonar o estágio manhoso dado pelo governo, falei com o Conselho Directivo da ESE e dei de frosques. Nem acabei o estágio que duraria mais uns 15 dias, para não perder a oportunidade de ter trabalho pelo menos por mais quatro a cinco meses. Depois era também a concretização de um sonho que tinha em ser professor...
---------//---------
E lá fui então substituir um professor que esteve de baixa por uns seis meses. Esse professor tinha apenas, julgo que pelos anos de serviço, 16 horas lectivas e o melhor horário do grupo - tudo manhãs, duas tardes e uma sexta-feira praticamente livre (apenas os primeiros dois tempos da manhã). Sei que os professores têm de cumprir o resto do horário não lectivo com actividades, funções, outros cargos, seja lá o que for, mas nunca cheguei a saber como era no caso dele, aliás, eu acabei por perceber muito pouco destas coisas. À minha espera tinha duas turmas de 9.º ano, três turmas de Currículos Alternativos e uma hora não lectiva numa escola do primeiro ciclo, a fazer de baby-sitter de um 3.º ano composto por uns 20 pirralhos mal-educados - supostamente seria uma hora a preencher com trabalhos manuais.
Logo de início gostei, pareceu-me muito bem, achei fantástico. Tinha um horário muito ligeiro, estava habituado a trabalhar as normais 40 horas semanais e de repente, passei a ganhar mais e a trabalhar menos horas. Adorei a idéia!
Rapidamente percebi que afinal a coisa não era bem assim. Ainda dei muito no duro em casa, a pesquisar e a trabalhar nas matérias a dar aos alunos que me calharam. Gastei os meus recursos caseiros, papel, tinteiros, materiais para as actividades, fui um dia de propósito a um único fornecedor que encontrei em Lisboa para comprar - do meu próprio bolso - matéria prima para os trabalhos a fazer com eles, etc. Tudo para oferecer algo interessante e diferente para aqueles miúdos.
Houve muitas alturas em que senti não estar à altura da aventura. Nos primeiros dias, de cada vez que entrava numa sala e tinha 60 olhos virados para mim à espera que eu começasse a falar, só me apetecia era fugir dali para fora. De manhã, assim que chegava à escola, dava-me a volta ao estômago e corria para a casa de banho antes do início das aulas. Um suplício (mais um flashback aqui)!
Tive a sorte de já conhecer algumas professoras que estavam nessa e noutra escola, amigas de outras andanças, que me apoiaram muito, deram dicas, sugestões, ensinaram-me alguns truques, além das outras que conheci depois por lá que também me receberam muito bem. Depois também porque os amigos, a família, o mais que tudo, todos, acreditaram nas minhas capacidades, isso transmitiu-me muita força e coragem. Descontraí, com o tempo ganhei calo, conheci melhor os miúdos e acabei por dar-me muito bem com eles.
---------//---------
Depois de ter consultado as espectativas dos alunos face à oportunidade de um novo professor, resolvi não cumprir com o programa estipulado pelo meu antecessor. Antes meti-os a fazer coisas que realmente gostavam. Dentro das várias opções que lhes apresentei, escolheu-se as que juntaram maior consenso entre todos - os pobres já iam no terceiro ano consecutivo a fazer caixas em madeira! Para me sentir à vontade naquilo que lhes poderia ensinar, fui buscar aquilo que sabia bem dentro da minha área de conhecimento, apliquei o que era exigido pelo programa da disciplina (técnicas, ferramentas, materiais, etc.) e encontrei o meu rumo. Na turma de Oficina de Madeiras ensinei a técnica de Xilogravura e dei-lhes tema livre para fazerem o seu trabalho. Na segunda turma, de Oficina Tecnológica, ensinei a técnica de Serigrafia e aprenderam a serigrafar t-shirts ainda que de um modo muito tosco e tradicional, por falta de recursos da escola. Tinha estas duas turmas ainda na disciplina de "Área de Projecto". Aí resolvi juntá-los em grupos e propus-lhes que criassem uma empresa, escolhesem um produto ou serviço a produzir, vissem a concorrência e depois construíssem toda a imagem corporativa da empresa (logotipo, papel de carta, envelope, cartões de visita, imagem do produto/serviço a prestar e houve um grupo que até site resolveu fazer por auto recriação). Adoraram - o trabalho anterior tinha sido a criação de folhas de cartolina com as descrições dos vários elementos da tabela periódica para a professora de Ciências. Não desfazendo a importância da Química, eles simpatizaram muito mais com a criatividade que este trabalho lhes proporcionou.
No final do ano lectivo fui um dos poucos professores convidados a estar presente no jantar de final do ano numa das turmas e no baile de finalistas do 9.º ano(!?!), organizado pela outra turma. Nesta última usaram a técnica serigráfica que lhes ensinei para escreverem nas faixas de finalistas - sinal que retiveram alguma coisa do que lhes ensinei.
---------//---------
Desta minha curta experiência posso permitir-me dizer, com algum conhecimento de causa, que o que este Governo anda a fazer da educação a favor da estatística é vergonhoso: passar alunos, só porque sim, porque interessam aos números a apresentar à U.E. é comprometer o futuro do nosso país. Foi a idéia geral, talvez errada, com que fiquei do actual processo de avaliação do aluno.
A isto junta-se o ataque constante aos professores, enchê-los de papéis e burocracias, obrigá-los a salvar alunos que não querem saber um cu da escola. Como referi calhou-me também três turmas, média de três alunos cada, dos chamados 'Currículos Alternativos'. Basicamente estes alunos eram uns gandulos, uns preguiçosos que não queriam fazer nada e que só estavam na escola porque eram obrigados a isso. Estavam a deixar passar o tempo até atingirem a idade em que já não seriam obrigados a estar na escola - depois mais tarde, daqui a uns anos, sempre poderão frequentar o famoso programa 'Novas Oportunidades' (mais uma ideia deste governo) que lhes dará equivalência ao 9.º ano. Salvé, Salvé, Aleluia!
Alguns destes miúdos e miúdas tinham ligeiros déficits de aprendizagem, atenção e compreensão, mas a maioria deles a causa era pura preguiça mental. Ainda assim a escola, ou seja, os professores, davam tudo para fazer algo deles e alguns, como no meu caso, sem qualquer tipo de preparação pedagógica ou apoio psicológico para lidar com casos assim tão complicados.
Nas reuniões de avaliação arranjavam-se todos os estratagemas para que os alunos, de qualquer turma, mesmo sem estarem nos Currículos Alternativos, não tivessem avaliação negativa. Descobri coisas como as aulas de substituição, planos de recuperação, estudo acompanhado, eu sei lá... foi das coisas que mais me deixaram indignado. A culpa do insucesso dos alunos recai toda sobre o professor, sobre o sistema, a chuva ou o sol, mas nunca sobre a preguiça e falta de interesse da pobre e inocente criança. Revoltou-me tanto essa realidade, tão distante dos meus anos de escola onde se avaliava quem se dedicava aos estudos e quem não queria saber um boi da escola era justamente reprovado.
O mote hoje em dia é passar toda a gente, baixar cada vez mais os padrões de exigência e de aquisição dos conhecimentos, se estão lá na cabecinha deles é o de menor importância. O que interessa é a estatística revelar que 100% da população portuguesa possui a escolaridade mínima obrigatória. No futuro próximo teremos uma população activa que frequentou, no mínimo, a escolaridade obrigatória e mal sabe escrever o nome - passo a não-tão-exagerada-quanto isso-hipérbole... Isso assusta-me, confesso.
---------//---------
Nos intervalos passava a maior parte do tempo na agora extinta sala de fumo, onde estavam os professores que melhor simpatia e boa onda me transmitiram e depois, nessa altura, eu ainda fumava. Com a convivência acabei por perceber também que o professor que eu estava a substituir tinha umas quantas inimizades porque, ao que parece, ele era o típico baldas, talvez parecido com este género, não sei... maus professores existem, é por eles que agora todos estão a pagar pelo tratamento e perseguição do ministério. Acabei por saber também que o real motivo da sua baixa era para, pasme-se, terminar um projecto pessoal de grande envergadura e que lhe exigia uma dedicação a tempo inteiro. Acabei por tomar conhecimento dessa verdade pouco tempo depois de estar a ocupar o seu lugar, por meio de conhecimentos comuns entre nós - Setúbal é uma cidade muito pequena nestas coisas. Rapidamente ganhei a simpatia de muitos colegas, muito provavelmente por ser o oposto do meu antecessor. Fui convidado para almoços, uma sardinhada na casa de um, caracoladas, etc., só não fui a mais coisas por ser tímido e sentir-me pouco à vontade entre 'estranhos'. Durante o tempo que estive nessa escola, sempre me considerei um outsider, não me sentia um professor como eles, eu estava de passagem, a experimentar a coisa. Estranhava tratar por tu professores que podiam muito bem ter sido os meus; estranhava as auxiliares a tratarem-me por Sr. Professor; estranhava a simpatia de todos os membros do Conselho Executivo (nos meus anos de aluno era a figura tenebrosa do Conselho Directivo) e da Secretaria. Entrei num mundo que durante muitos anos tinha sido envolto em misticismo e grande respeito - quem não se lembra de não poder entrar na sala dos professores, de ter de ficar à porta à espera que o professor com quem queríamos falar saísse, ou que a 'sra. contínua' fosse simpática o suficiente e o chamasse para que viesse até à porta? De repente eu estava lá dentro, era um deles, descobria com prazer o que afinal eles falavam dentro da 'sala oval'... ri muito, divirti-me e guardo com um sorriso essa experiência.
---------//---------
Por ser dos poucos professores com conhecimentos de informática, ao fim de um mês na escola fui escalonado para fazer parte da equipa das PAEB (Provas de Aferição do Ensino Básico - flashback aqui), como técnico de apoio informático. A minha escola, por ser sede de agrupamento, era Unidade de Aferição, ou seja, iria recolher e gerir todas as provas de todas as escolas do Agrupamento (cerca de 6 mil provas dos 4.º e 6.º anos de escolaridade). Aceitei, sem saber muito bem o que pretendiam de mim. Em troca pedi só que me libertassem dos pirralhos mal educados do primeiro ciclo - as quatro vezes que lá fui senti-me completamente de rastos e impotente face a tanta criança insolente, desisti delas, sem qualquer remorso! Com a minha entrada na equipa das PAEB, das 16 horas semanais passei para o dobro num abrir e fechar de olhos - dias houve em que saíamos à meia noite da escola para conseguir ter as coisas exigidas pelo ministério terminadas. Horas essas que não eram pagas, nem a mim, nem a ninguém. Mais uma pérola do Ministério. O que nos valeu a todos nós professores, aos alunos, ao processo e principalmente à Ministra, foi o espírito de equipa, o bom humor e desportivismo com que encarámos todo este trabalho extra. Foram os bons professores - nas equipas de aferição, os avaliadores das provas, os que coordenaram os avaliadores, os que supervisionaram as turmas durante as provas, etc. - que tornaram possível este mega projecto de aferição dos alunos. Ninguém ganhou mais dinheiro com isto, a não ser o Ministério que poupou imenso nos recursos ao impôr tudo isto aos professores. O ano passado foi o primeiro ano que estas PAEB aconteceram. Este ano a coisa já deve estar mais oleada e deverá ocorrer sem tantos problemas e percalços derivados da falta de informação e comunicações vindas das DRE.
---------//---------
Foi também por essa altura que começou o famoso concurso para o cargo pomposo de Professor Titular. Acompanhei este processo relativamente perto e conheci algumas das muitas histórias de injustiça que à volta dele giraram. Professores que sempre se dedicaram à escola, a não terem os pontos necessários para pensarem sequer em candidatar-se e outros que, mesmo sendo os maiores baldas, chegaram ao cargo com o mínimo de esforço, só pelos anos de serviço. O que eu estava a substituir é hoje, obviamente, um Professor Titular...
---------//---------
Todas estas histórias aconteceram comigo em pouco mais de 5 meses que estive no mundo místico dos professores. Pelo que senti na pele, passei a respeitar ainda mais essa classe. Bons e maus profissionais, há-os em todo o lado. Não entendo o ataque constante do Ministério da Educação a uma classe que tanto se esforça para com poucos recursos tornar a aventura da aprendizagem em algo estimulante a miúdos na sua grande maioria contrariados por estarem na escola. O sistema educativo tem muitas falhas, se tem... para as corrigir são necessárias muitas reformas e muitas mudanças comportamentais. Mas os professores não deverão ser perseguidos como sendo os únicos culpados do actual estado da educação em Portugal, isso tenho eu a certeza!
---------//---------
P.S. - Desculpem-me os mais preguiçosos a lonjura deste post mas há muito que, face a tudo o que tem acontecido contra os professores, sinto a necessidade de escrever sobre esta minha experiência. Necessidade satisfeita, tão cedo não devo escrever outro destes!

segunda-feira, março 03, 2008

Professorzecos

Doris Day in Teacher's Pet. Imagem retirada daqui.

Pela primeira vez que me lembro, nunca se viu uma classe tão unida numa guerra contra este governo como se tem visto agora com a classe dos professores. E se há classe que normalmente não é unida é esta - pelo menos pela experiência que tenho tido... e se formos para o mundo universitário então nem se fala!
Não quer isto dizer que os professores estão realmente mais unidos e amiguinhos agora, mas pelo menos estão juntos a lutar por uma causa comum e que é do interesse de todos. Causa essa que passa simplesmente pelo direito de também eles serem ouvidos num processo que lhes diz respeito. O que não tem acontecido. Começou pelo congelamento dos escalões e das carreiras, passou pelas directivas cada vez mais permissivas de avaliação do aluno, as novas normas de colocação de professores nas escolas e os concursos de admissão, o novo Estatuto da Carreira Docente, os concursos ao cargo de Professor Titular, as alterações no ensino artístico da música e, o que fez rebentar o balão, o sistema de avaliação de professores - tudo propostas sempre emanadas do Ministério da Educação, com muito pouca consideração pelas opiniões dos professores, que são quem está no terreno e melhor percebe a escola e os alunos.
Pelo menos é o que tenho percebido da coisa como ela tem passado. Se estou errado, perdoem-me.
Daqui resulta o que temos visto nos últimos tempos: manifestações espontâneas de professores por todas as cidades do país - mais ao menos organizadas via sms, não sei se com muita mão da oposição política e sindicalista pelo meio mas, para o caso, é indiferente.
Imaginem um gestor de recursos humanos que altera constantemente as regras de conduta da empresa, os direitos e as obrigações dos funcionários a serem mudados sem que lhes seja ouvido sequer um ai, sem nada lhes perguntar. Resultado: funcionários descontentes, com sentimento de injustiça pelo facto de andarem todos a pagar pelos erros de alguns, baixa auto-estima resultante da falta de reconhecimento do seu esforço, raiva contida contra o empregador, falta de produtividade, desinteresse pelas tarefas a desempenhar, conflitos, manifestações, greves e por aí fora. O filme é mais que visto e é o que está a passar-se agora com os nossos professores.
Assim e baseado no que recebo pelas notícias, leio na blogoesfera e ouço da boca de alguns professores amigos, questiono-me: como pode um ministério travar uma remodelação profunda e necessária num sistema sem ouvir aqueles que estão directamente envolvidos na questão? Como pode um ministério considerar que aqueles que se revoltam e manifestam contra as suas opções são meros professorzecos? É puro autismo, só pode!
É este cenário e clima de terror que queremos para aqueles que são responsáveis pela educação do nosso país? Não me parece.

Para os mais distraídos perceberem um pouco o que se anda a passar, existem já vários movimentos de professores na blogoesfera que dão um bom panorama da coisa. Aqui ficam alguns exemplos:

No próximo dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, está marcada uma mega manifestação nacional de professores em Lisboa. Há autocarros e comboios fretados por todos os cantos do país, para que todos consigam chegar a Lisboa. Veremos como a coisa vai correr.
Desejo boa sorte a todos aqueles que decidiram ensinar aos outros aquilo que aprenderam e que todos os dias lutam para não verem a dignidade da sua profissão completamente devastada por ordens, decretos, normas e ofícios emanados de um ministério que parece não conhecer a realidade das escolas. Bem hajam!

domingo, março 02, 2008

Family Guy

De todas as coisas bonitas que experienciei ontem, a melhor de todas elas foi o ter sentido pela primeira vez que era um "family guy", que era incluso na tua família. Acho que a coisa acabou por correr sem qualquer tipo de combinação, pré-arranjo ou coisa pensada que o valha. Aconteceu naturalmente, não por imposição minha (o que eu , nestes quase 3 anos, já cuspi fogo em situações no passado em que me tinha no direito de estar presente tanto quanto outras pessoas) ou por sugestão tua. Simplesmente aconteceu e de um inicial e simples pedido de boleia passei de repente para um jantar no meio de tias, primas, primos, sobrinha e sobrinhos... e eu a comer frango assado, com as mãos (e há outra maneira de comer frango assado?), sentado ao lado do teu pai! eh eh eh :-)
Nem fazes ideia o quanto foi bom e importante para mim! Muito obrigado.

Estranhões e Bizarrocos - v.2

A Guia (Isabel Ganilho), foto daqui.

Foi ontem, correu bem, apesar de todo o stress normal pré-estreia. Ainda dei uma pequeníssima mãozinha de costureira no aperto final, a uma hora de abrir o pano.
De parabéns os excelentes, coloridos, iventivos e bem engraçados figurinos, mesmo correndo o risco de ouvir dizer que a minha opinião não conta por ser parcial. O resto, o resto é o TAS como já nos habituou, para o bem e para o mal. O brilho da peça esteve todo, sem qualquer dúvida, no trabalho do meu mais que tudo. Para o comprovar bastava estarem sentados na plateia a ouvir os comentários do público, miúdos e graúdos, de cada vez que uma nova personagem entrava em palco.
Quanto a mim, fui às lágrimas com a cena lindíssima dos cavalos marinhos luminiscentes... mas isso sou eu que sou um lamechas! Ao meu lado a Rita, a minha faroleira de serviço (agora versão casada com Nelson que também estava presente), ainda olhou umas quantas vezes para o lado, a tentar perceber se eu estava a fungar de constipado ou se estava mesmo a chorar. Estava! Obrigado a vocês dois, mais uma vez, por terem vindo partilhar isto comigo. Próxima sexta-feira a malta vê-se de novo para conhecer o vosso ninho e para, obviamente, meter defeitos na decoração!
Do outro lado da minha cadeira sentou-se a minha mana com o filhote ao colo que, tendo em conta os seus dois anos e meio, portou-se lindamente durante os 50 minutos do espetáculo. Ela também estranhou a pieguice, mas só o disse no final do espetáculo. Obrigado também a vocês pela companhia.
Por fim, só quero dizer mais uma vez: PARABÉNS ao moço pelo excelente trabalho.

sábado, março 01, 2008

COMYXTURA

Hoje há festa de aniversário aqui.
Parabéns à família COMYXTURA pelo terceiro aninho de posts, partilhas, tiras de comics, piadas, alegrias e tristezas. Ah! Pelas fotos dos gatinhos e agora de um cão!
Como presente, envio-vos estes rapazes que vão tratar do catering desta vossa noite. Boas comemorações para logo!

Day 60

Cartaz de uma campanha anti-tabágica brasileira que diz "Fumar não faz parte da sua Natureza". Muito bom!
Concordo plenamente com a frase, agora que cheguei ao segundo mês tobacco free - smoke free ainda vai ser dificil. Agora tornei-me num fumador passivo - haja humor!
A todos aqueles a quem, durante cerca de 11 anos, impus o meu vício mortal sobre a sua saúde, peço as minhas sinceras desculpas. Pelos vistos além de fumador passivo, também estou a tornar-me num cínico... mas só depois de passar para o outro lado é que se percebe a coisa como ela é e o quanto é incomodativa, daí o meu pedido de desculpas.