quarta-feira, abril 16, 2014

O cubo de 2

Está perto de completar oito anos desde que iniciei a escrita neste espaço.
Oito, oito anos, um número bem redondo.
Regressar aqui, tanto tempo depois, é um lugar estranho.
Desde essa primeira publicação tanta coisa aconteceu na minha vida. Ainda bem, pois é o que é suposto.
Naquela altura estava quase a fazer 30 anos, agora aproximo-me dos 40.
8 anos são 2920 dias, passaram 70080 horas, gastei 4204800 minutos ou 252288000 segundos. Trabalhei em 9 empresas (fui designer, professor, paginador, trabalhei num restaurante, voltei a ser designer, web designer, web developer e freelancer), estive por 3 vezes desempregado (períodos curtos mas angustiantes), envolvi-me em 4 relações (3 nos últimos dois anos e meio), passei por 11 mudanças de casa (as que me consigo lembrar), vivi em 3 cidades diferentes, ganhei mais 4 sobrinhos lindos (para juntar aos outros 6 que já tinha), encontrei novos amigos e perdi o rasto a outros tantos (os fins das relações trazem sempre estas dinâmicas), mantive algumas amizades (as de sempre) e reencontrei amizades antigas.
Que peso, vistas as coisas desta maneira, com o peso dos números.
Caí, levantei-me, alegrei-me com a esperança da possibilidade de dias melhores, fui feliz, apaixonei-me, iludi-me, fui medroso, outras vezes forte, lutei e baixei os braços, construi e destrui, magoei e fui magoado, desiludi-me, ri, chorei, passei por decisões dificeis e angustiosas, perdi-me e afundei-me novamente, passei por uma espiral perigosa de auto-destruição, voltei a levantar-me, a encontrar-me, voltei a acreditar que ainda há muito caminho a percorrer e recomecei a construir a minha vida, uma vez mais.
O balanço? Não consigo fazer um.
Sinto-me cansado e perdido, sem objectivos, em suma, sinto-me sem um rumo concreto. No entanto, e por outro lado, sinto-me capaz de tudo a que me propuser, a vida tem-me dado provas disso, eu mesmo tenho-me dado provas disso também. Basta eu não me sabotar.
Basicamente sou o meu melhor aliado e o meu maior inimigo.
O número 8 é o primeiro cubo perfeito, o cubo de 2, número da sorte para os chineses, é também a representação do infinito, do eterno retorno. Deve ser por isso que, passados 8 anos, continuo com as mesmas questões de sempre, basicamente elas não mudaram em nada com o passar do tempo, nem mesmo com a maior experiência de vida que trago agora comigo. À vezes parece-me que ando a queimar o tempo com nada e para nada.

1 comentário:

Anónimo disse...

PORRA!!!! Arrebataste-me pá!
A procura da mayra andrade, encontrei-te! também estive em setubal nesse dia 20 de fevereiro. e agora questiono-me: por que carga de água não te conheci naquele dia? MERDA!
Numa comparação tosca,sinto-me um JEAN BAPTISTE GRENOILLE, apaixonada, não por um odor longínquo mas por uma enxurrada de palavras correspondentes, por certo, a uma personalidade oculta nelas.

eu, peter pan, numa amostra de blog qualquer, cuja criação nem foi minha, matutenção zero. uns percursosdepedra cuja criatividade foi interrompida e segregada pela demasiada realidade.
talvez nos cruzemos, por aí.
talveez não..